A decisão do governo paraguaio de exigir que as mercadorias brasileiras que entram no Paraguai através de Foz do Iguaçu tenham especificações em espanhol nas embalagens, provocou um protesto de cerca de 200 transportadores ontem pela manhã, na aduana paraguaia da Ponte da Amizade, na fronteira entre Brasil e Paraguai.
Os transportadores tentaram forçar a passagem pela aduana sem a vistoria da fiscalização. Eles também reclamaram que estavam sendo ‘‘obrigados’’ a pagar propinas para os fiscais da aduana para que as cargas fossem liberadas. Os transportadores alegaram ainda, que com a retenção da mecadoria, o prejuízo é pago por eles.
A Polícia Nacional do Paraguai precisou intervir para acabar com o protesto que durou cerca de 20 minutos. Quatro pessoas foram presas. O cinegrafista Mário de Almeida, da TV Naipi, afiliada ao SBT, foi detido pela polícia e impedido de registrar parte das imagens do protesto. Ele foi liberado quando o manifestação terminou.
A lei que exige a especificação em espanhol nas mercadorias existe desde 1993. Mas somente agora, com a desvalorização do real, o governo paraguaio está controlando a entrada das cargas devido a grande quantidade de produtos brasileiros que está invadindo o Paraguai. A medida foi determinada na semana passada pelo Ministério da Indústria e Comércio do Paraguai que estima que com a falta de controle na entrada dos produtos brasileiros, o país está tendo um prejuízo semanal de aproximadamente R$ 12 milhões.
O chefe da aduana paraguaia, Claudio Rios, disse que os fiscais que trabalham na aduana estão apenas cumprindo ordens do ministério e que o protesto não vai intimidar o rigor na fiscalização. ‘‘Isto faz parte da política monetária do governo e não podemos permitir abusos por parte dos transportadores’’, explicou.
Rios também disse que a medida não visa prejudicar os exportadores brasileiros, mas sim proteger a indústria paraguaia. ‘‘Se no Brasil, por exemplo, é preciso cumprir leis, aqui não é diferente. Os produtos nacionais precisam ser valorizados’’, ressalta. Ele não quis comentar sobre a denúncia dos transportadores que acusam os fiscais de cobrar propinas para liberar cargas. ‘‘É uma grandiosa mentira.’’
O governo argentino também está adotando medidas para coibir a entrada em massa de produtos brasileiros em Puerto Iguazú. Desde o final de janeiro, cada argentino só tem direito de comprar US$ 100,00 por mês em mercadorias brasileiras. A desvalorização do real está provocando uma verdadeira ‘‘invasão’’ de argentinos no comércio de Foz do Iguaçu. Eles estimam que fazendo compras no comércio brasileiro economizam até 50%.

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