Transportadores pedem Agência Nacional
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segunda-feira, 16 de abril de 2001
Agência EstadoDe São Paulo 
Os empresários e executivos ligados ao transporte rodoviário de cargas estão empenhados em fazer com que o governo federal crie regras para a atividade e ajude a combater a superoferta de transporte. Segundo eles, a falta de regras fez aumentar o ingresso de transportadores no setor nos últimos anos, até criar um excesso de ofertas, o que jogou os preços dos fretes para baixo, pois a demanda não cresceu na mesma proporção.
Representantes da Associação Nacional do Transporte de Cargas (NTC) já mandaram a minuta de um projeto de lei que prevê o disciplinamento do setor para análise do Ministério dos Transportes. Os transportadores querem que a futura Agência Nacional do Transportes se encarregue de autorizar o exercício da atividade e mantenha um cadastro com os nomes das empresas em atuação.
Reivindicamos requisitos mínimos para as empresas exercerem atividades de transporte, afirma o diretor-executivo da NTC, Alfredo Peres. Ele declara que os debates sobre a regulamentação não envolvem discussões sobre fretes. Não queremos uma tabela de preços, explicou, acrescentando que, com o setor disciplinado, os fretes tenderão a voltar ao equilíbrio.
Peres afirma que o setor é hoje uma terra de ninguém. Muitos homens que perderam empregos nos últimos tempos compraram um caminhão e passaram a trabalhar no setor, sem ter capacidade para isso. De acordo com ele, o disciplinamento defendido pela NTC inclui requisitos como frota mínima, capacidade técnica, capacidade de investimentos e outros.
Para Peres, o setor precisa urgentemente se recuperar para voltar a investir, já que a frota de 1,5 milhão de caminhões no Brasil tem em 14,5 anos de idade média, o dobro dos países desenvolvidos. Segundo ele, essa situação contribui para o alto índice de poluentes, muitos acidentes, baixa produtividade e alto consumo de diesel.
Segundo Peres, a intenção das transportadoras é que a futura agência do setor, cujo projeto está sendo examinado pelo Senado, seja responsabilizada pelo controle da atividade. Atualmente, de acordo com ele, as transportadoras têm de se cadastrar em diversos órgãos do governo conforme os produtos transportados. As empresas que transportam remédios, por exemplo, têm de ter um cadastro em órgãos ligados ao Ministério da Saúde.


