Transportadores alertam para sucateamento
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segunda-feira, 24 de maio de 2004
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Caminhoneiros e transportadoras reclamam que mesmo com a grande safra registrada pelo País este ano, o setor enfrenta sérias dificuldades e pode estar à beira de um colapso. Estradas ruins e alta carga tributária estão fazendo com que a frota fique sucateada e com que o preço do frete já chegue perto do valor cobrado pelo transporte ferroviário. No Brasil, cerca de 70% de toda a carga são transportados por rodovias. Hoje, o Brasil possui um média de 1,5 milhão de caminhões, sendo cerca de 100 mil no Paraná. A média de idade desses veículos é de 18 anos.
''Um levantamento da Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostrou que a carga tributária do setor de transportes é de 50,5%. E com o aumento da Cofins para 7,6% ficou ainda mais difícil de aguentar'', reclama o superintendente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas no Estado do Paraná (Setcepar), Rocardo Mac Donald. Segundo ele, hoje cada mil toneladas por quilômetro rende US$ 19. Em 1995, ele lembra que o preço era US$ 32 e só caiu de lá para cá. ''Nos Estados Unidos, onde muito mais carga é transportada por trem, esse preço é de US$ 59'', argumenta.
Mac Donald diz que as transportadores estão trabalhando hoje com uma margem de lucro de 3%. Porém, ele explica que a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) tem sido repassada para toda a cadeia que faz o transporte até chegar ao consumidor final. E esse repasse já está prejudicando os caminhoneiros autônomos. Isso porque as transportadoras só podem repassar o imposto para pessoas jurídicas, forçando-os a abrir empresas e pagar mais impostos. ''O caminhoneiro jé desconta cerca de 25% do frete, que já está baixo. E se tiver que pagar impostos ainda vai acabar sem lucro nenhum'', concorda o presidente do Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos (Sindicam), Diumar Bueno.
Quanto às estradas, caminhoneiros e transportadoras reclamam que falta investimentos. ''Cerca de 70% das rodovias federais estão em péssimo estado. Cadê os R$ 8 bilhões que o governo arrecadou ano passado com a Contribuição de Intervenção do Domínio Eoconômico (Cide), cobrada sobre os combustíveis'', questiona o superintendente da Setcepar.


