Transportadoras querem reajustar fretes em 10%
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sexta-feira, 04 de fevereiro de 2005
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba As transportadoras brasileiras vão reajustar o valor do frete no mínimo em 10,79%. Esse é o índice que a Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC) está reivindicando para que as empresas possam cobrir aumentos de custos com a elevação dos combustíveis, insumos e impostos. As transportadoras do Paraná querem embutir no reajuste os aumentos do pedágio, concedidos pela Justiça, e os desvios de rotas da BR-116.
De acordo com o presidente do Sindicato das Indústrias de Transporte de Cargas do Estado do Paraná (Setcepar), Aldo Fernando Klein Nunes, só o óleo diesel teve um aumento de 29% no ano passado. Os últimos foram 6% em 15 de outubro e 8% em 26 de novembro.
Os caminhões também foram reajustados em função do aumento do aço, que incide no custo dos veículos.
Conforme levantamento do sindicato desde junho do ano passado data do último do reajuste ocorreram aumentos significativos nos custos de carroçarias (29,21%), seguros (17,46%), recapagem (12,73%), lubrificantes (7,20%), veículo (7,09%), pneus (4,07%), salários (3,67%), lavagem do veículo (2,37%) e rodoar (0,73%).
Segundo Nunes, no Paraná o valor do frete aumenta naturalmente no pico da safra porque os caminhões se concentram no escoamento dos grãos para o porto e falta veículos para transportar as encomendas da indústria.
''Mas as negociações estão iniciando agora, porque muitas transportadoras já estão com contratos no vermelho'', justificou.
O transporte de uma carga indústrial de Curitiba para São Paulo está cotada em aproximadamente R$ 70,00 por tonelada.
Nunes apontou ainda o aumento da carga tributária elevada em 35% para o setor de serviços pela Medida Provisória 232 que obriga o repasse imediato dos aumentos de custos para os fretes.
''É uma questão de sobrevivência, inclusive para evitar futuras dificuldades de logística'', argumentou.
O diretor da Federação das Transportadoras do Paraná (Fetranspar), Sergio Malucelli, disse que não dá mais para trabalhar com custos represadas.
''Há quatro meses estamos trabalhando com defasagem e agora estamos enfrentando mais um gargalo na represa Capivari-Cachoeira, na BR-116, que está elevando custos para as transportadoras que estão desviando a rota'', apontou.
Só o desvio vai provocar um aumento de custo mensal da ordem de R$ 3,6 mil por veículo para as transportadoras, disse Malucelli.
Ele calculou nesse custo o aumento de aproximadamente R$ 300,00 por viagem com custo do pedágio para uma transportadora, cujo veículo vai três vezes por semana para São Paulo.


