Transportadora contrata novos empregados
Na Rota 90, transportadora com matriz em Ibiporã, o impacto da nova lei não será muito grande. É o que afirma o diretor executivo, Márcio Pasquali. Segundo ele, o segmento no qual atua - de produtos perigosos - já era bem regulado antes da lei. ''Já tínhamos restrição de horário. Das 10 da noite às 6 da manhã, nossos caminhões ficam bloqueados'', afirma.
Mesmo assim, segundo ele, a Rota 90 já teve de contratar seis novos motoristas e se prepara para novas despesas com horas extras. O impacto sobre o frete ainda não foi calculado. Mas o aumento, de acordo com Pasquali, será inevitável na hora de renegociar novos contratos. .
Atualmente, a Rota 90 tem 80 motoristas empregados e conta com 180 agregados (autônomos com contrato de prestação de serviços). ''A tendência é que as empresas passem a contratar mais autônomos'', ressalta. .
Pasquali diz que a lei ''é muito justa e demorou a sair'', mas deveria vir acompanhada de uma ''desoneração tributária'' que compensasse o aumento de custo.
Para o diretor, os clientes podem ajudar os transportadores a se adaptarem à nova realidade. ''Se eles conseguirem programar o despacho das cargas durante o mês, já estarão nos ajudando muito. Infelizmente no Brasil, tudo fica para a última hora'', destaca.
O motorista da empresa, Reinaldo Cândido Tobias, 42 anos, diz que a lei ''é muito boa'', embora não mude muito sua rotina. Ele já dirigia no máximo 10 horas por dia. ''Mas eu conheço muita gente que trabalha até 16 horas. Então a lei vai diminuir os acidentes'', acredita.
Tobias, que viaja para várias regiões do País, já tem definidos os postos onde para para dormir. Mas isso, segundo ele, não é a realidade da maioria dos motoristas. ''Onde vai caber tanto caminhão parado?'', questiona.
O projeto, que resultou na lei 12.619, previa que o governo e as concessionárias se responsabilizassem por oferecer locais apropriados para o descanso dos profissionais, mas o artigo foi vetado pela presidente Dilma Rousseff. (N.B.)





