SÃO PAULO - As companhias internacionais que vão disputar a concessão da banda B da telefonia celular do País apostam num mercado ainda maior. As redes de transmissão de dados, imagem, voz, vídeo conferência, fax e correio eletrônico são o verdadeiro filão.
A exploração desse mercado está apenas começando. As perspectivas são tão grandes que ninguém se arrisca a quantificá-lo. Em apenas dez meses no Brasil, a GlobalOne - uma joint-venture entre a France Telecom, Deutsche Telekom e Sprint - faturou US$ 16 milhões. Em 70 países onde atua, o faturamento foi de US$ 800 milhões.
Nesse cenário, a Embratel é o maior alvo das operadoras, não só pelas dimensões da companhia mas pelo que representa em DDD, DDI e transmissão de dados. ‘‘No Brasil, estamos ainda entrando na fase da competição. Quem já está consolidado, como a Embratel, terá a vantagem de manter seus clientes’’, diz o diretor da GlobalOne, José Vazquez.
Para ele, o grande negócio será a Embratel. ‘‘Para os concorrentes ficará apenas uma parte do mercado que hoje não está sendo atendida’’. Vazquez diz ainda que as companhias internacionais não vão entrar apenas com o objetivo de operar celulares.
A AT&T, que faz parte de um dos consórcios que vão disputar a Banda B, quer também oferecer serviços de ligações de longa distância e internacionais. Para Vazquez, a digitalização já eliminou o conceito de tempo e espaço. ‘‘O conceito de pagamento por minuto de ligação já está ultrapassado’’, afirma.
A cobrança nas redes privadas, onde a comunicação é feita através de canais próprios, não é feita mais por minuto. Os contratos são assinados por períodos de um ano ou mais. As vantagens para as empresas são gigantescas. O contrato de um ano de um canal 64K entre o Brasil e os EUA, através da GlobalOne por exemplo, sai por US$ 10 mil, incluindo os custos de instalação e o acesso local do usuário aos serviços da Embratel e, de lá, para os EUA.
Por esse canal é possivel fazer 7 ligações simultâneas. Pelo serviço tradicional, via Embratel, em apenas um minuto (US$ 1,80), as sete ligações custariam US$ 12,6. Se essa empresa fizesse apenas 4 ligações diárias desse tipo em um ano, o custo seria de US$ 18,3 mil. A vantagem da rede privada ainda é maior se os contratos forem superiores a um ano. O desconto chega a 15%.
A diversificação é tão ampla que a Petrobras, por exemplo, montou nos últimos anos uma infra-estrutura de comunicação paralela aos seus oleodutos e gasodutos só comparável à Embratel.
‘‘Quem tem ou está montando estrutura vai querer aproveitá-la de alguma forma’’, diz Vazquez. No trajeto São Paulo-Rio, a NovaDutra está construindo uma rede de fibra óptica de 155 megabytes. O controle do tráfego, a partir de abril, demandará não mais do que 10 megabytes.

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