Trânsito causa prejuízo milionário
PUBLICAÇÃO
domingo, 14 de dezembro de 2008
Edson Pereira Filho<br> Reportagem Local 
Os acidentes no trânsito contabilizaram só no ano passado R$ 105 milhões de prejuízos sociais para o município de Londrina. Esta é a conclusão de Carlos Eduardo Mitomu Tanno, economista formando pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). O estudo tratou de calcular os custos sociais que envolvem a circulação de veículos depois de serem vendidos pelas concessionárias. O trabalho intitulado Externalidades Decorrentes dos Acidentes de Trânsito no Município de Londrina, objetivou estudar o período entre 97 e 2007. A pesquisa se apoiou num estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e mostrou que em 97 o município já contabilizava R$ 40,3 milhões em prejuízos, representando um aumento de 65% de lá para cá.
A frota de Londrina hoje é de 246 mil, 60,32% deles automóveis (veja quadro). Para se ter uma idéia deste prejuízo, o orçamento do município era de R$ 155 milhões em 97, e 26% deste valor correspondia aos custos com acidentes com e sem vítimas, além de mortes no trânsito. Em 2007, com um orçamento municipal de R$ 525 milhões, 20% foi o gasto social com acidentes de trânsito na cidade, precisamente no perímetro urbano. Proporcionalmente, em 97 o munícipio contabilizava um prejuízo social de R$ 40,3 milhões com acidentes no trânsito e, só em 2007, este número saltou para R$ 105 milhões.
O levantamento levou em conta os custos causados por congestionamentos, danos ambientais (poluição), atendimento hospitalar, processos judiciais, obrigações previdenciárias, salvamento (viaturas de socorro), prejuízos mobiliários entre outros. Tanno conta que até após a morte de uma pessoa no trânsito, é calculado o prejuízo pela falta de produção social da vítima. ''As variáveis de cálculos são muitas, mas o estudo pretende ser um instrumento para o poder público implementar políticas de trânsito para evitar este prejuízo social e humano'', destacou.
Perguntado se o trabalho apontou soluções para esta situação, Tanno observou que este não foi o objetivo da pesquisa. ''Eu não posso dizer que a saída para isso tudo é o transporte de massa, por exemplo. Os órgãos públicos teriam que utilizar este estudo para elaborar respostas para esta situação'', orientou. Questionado se este mesmo ambiente de prejuízo social se repete em outros grandes centros como Londrina, o pesquisador foi taxativo ao dizer que esta situação não difere muito de cidades do mesmo porte do Paraná e até do País.
O estudo apontou ainda, que em 97 o custo médio por acidente seguido de morte era de R$ 17,4 mil, já em 2008, este valor saltou para R$ 27,3 mil. Os acidentes sem vítimas, respectivamente, R$ 3,2 mil (97) e R$ 5,1 mil em 2008. Tanno observou ainda, que a frota per capita na cidade representa 2,5 habitantes por veículos. ''É um número alto de carros por habitante, necessitando de um estudo mais apurado para saber como enfrentar este problema'', argumentou.


