Da Redação
O Seminário Internacional sobre Alimentos Transgênicos foi aberto ontem, no Hotel Sumatra, em Londrina, com a presença de técnicos de vários setores, principalmente especialistas em biotecnologia. Na palestra de abertura - ‘‘Histórico dos alimentos transgênicos e sua importância para a agricultura’’ - o pesquisador da Embrapa Soja, Eberson Sanches Calvo, afirmou que o conhecimento sobre transgênicos pode ser uma grande arma da agricultura no Terceiro Milênio para produzir plantas resistentes a doenças, insetos, herbicidas, entre outros, além de contribuir para a melhoria da qualidade dos alimentos e aumentar a rentabilidade do agricultor.
O primeiro produto transgênico a chegar no mercado norte-americano, em 1995, foi o tomate que demora mais tempo para apodrecer nas prateleiras. A partir desse avanço, a soja, o milho e o algodão também passaram a usar ferramentas da biotecnologia para conseguir melhores resultados para os grãos e, consequentemente, para seus derivados.
Controle A técnica Marília Regini Nutti, chefe geral da Embrapa Agroindústria de Alimentos, também participante do Seminário, acha que os transgênicos devem passar por controle de qualidade. Antes que um produto chegue às mãos dos consumidores, ele deve passar por uma série de análises e testes. Objetivo é estabelecer critérios de segurança antes da liberação para o consumo humano. No caso dos transgênicos, a regra não pode ser diferente. Várias medidas precisam ser seguidas à risca garantindo os processos de qualidade dos alimentos.
As pesquisas com plantas transgênicas avançam em várias áreas e possibilitam a criação de variedades resistentes à herbicidas e de menor impacto ambiental. O pesquisador da Embrapa Soja, Eberson Sanches Calvo, diz que as plantas transgênicas podem revolucionar o setor alimentício, produzindo matéria-prima de melhor qualidade. E deu alguns exemplos: para se produzir margarina, por exemplo, o óleo de soja passa por hidrogenação, garantindo maior durabilidade. Mas, com a tecnologia das plantas transgênicas é possível se chegar a uma soja com maior teor de ácido oléico. ‘‘Isso confere estabilidade ao óleo e melhora a sua qualidade’’, garantiu especialista ao falar para um auditório composto em sua maioria pela comunidade científica que atua em instituições oficiais e privadas.
Mercado O economista norteamericano Steven Sonka, da Universidade de Illinois, participa do Seminário apresentando um perfil do mercado de alimentos transgênicos. Hoje a área plantada com produtos transgênicos, principalmente soja, milho, algodão, canola e batata já supera os 30 milhões de hectares. A produção de plantas transgênicas nos EUA ocupa 74% dessa área, seguida da Argentina, responsável por 15% desse total, e o Canadá, que ocupa 10%.
‘‘As atenções hoje estão voltadas para o milho e a soja com características que garantem benefícios diretos à agronomia e indiretos ao meio ambiente’’, afirma Steven Sonka. ‘‘No entanto - observa - as pesquisas que asseguram um aumento de qualidade de outros produtos transgênicos, trazendo benefícios ao consumidor, estão sendo conduzidos em todo o mundo’’. Sonka lembra que derivados de milho que foram melhorados com a biotecnologia são aceitos pelos consumidores americanos, mas qua a realidade na Europa é bem diferente. ‘‘As oposições políticas têm reprimido os consumidores europeus de avaliar no mercado os produtos dessa tecnologia’’, afirma.
Segundo Sonka, as aplicações da biotecnologia para a agricultura passam por uma rigorosa regulamentação nos EUA. A regulamentação dos transgênicos para testes e uso comercial é realizada pelo USDA, Agência de Proteção Ambiental e a Food and Drugs Administration, agência que libera a comercialização de alimentos e produtos químicos. ‘‘Esta rigorosa análise, realizada por múltiplas agências, provavelmente diminui a taxa de aprovação das inovações biotecnológicas, mas isso assegura uma ampla avaliação’’.
Embrapa O chefe geral da Embrapa Soja, José Francisco Ferraz de Toledo, disse ontem que a Embrapa tem participado de eventos sobre transgênicos em todo o País, proferindo palestras e colaborando em reuniões como as que o Congresso Nacional vem realizando. O objetivo da Embrapa é esclarecer à população e fornecer subsídios técnicos para o debate do assunto. O evento internacional que se realiza em Londrina está trazendo profissionais de alta competência. Ferraz de Toledo disse que a Embrapa quer mostrar a experiência desses profissionais e debater a realidade do mercado, da pesquisa e da comunicação sobre os transgênicos.
O Seminário Internacional sobre Alimentos Transgênicos é promovido pela Embrapa e International Business Communications e termina amanhã.

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