Curitiba O físico Fritjof Capra, um dos maiores defensores dos meios de sustentabilidade econômica, afirmou, ontem, que as empresas de biotecnologia dos transgênicos são desonestas ao vender um conceito errado de seus produtos. De acordo com ele, na defesa dos transgênicos, as empresas de biotecnologia usam os mesmos argumentos utizados há 20 anos pela indústria química em defesa dos agrotóxicos.
''Elas vendem a idéia de que a plantação transgênica vai produzir mais, que dispensa o uso de agrotóxico. É o que a indústria química dizia, mas ela não ajudou em nada, nem aos produtores, nem aos consumidores e nem ao solo'', disse, referindo-se à biotecnologia dos transgênicos como ''um enorme problema para a agricultura''.
Capra afirmou, ainda, que o uso de transgênicos torna os agricultores cada vez mais dependentes destas empresas de biotecnologia. ''Elas vendem a semente, cobram taxa pela propriedade industrial e o produtor ainda tem que comprar o produto químico dela, ficando cada vez mais dependente''. Como exemplo, citou a americana Monsanto que, segundo ele, tem interesse em vender suas sementes transgênicas para aumentar também a venda do agrotóxico produzido por ela, o ''Rand up ready''.
O físico afirmou, ainda, que a liberação do plantio de transgênicos só contribui para aumentar a pobreza no campo, uma vez que essa cultura incentiva a agricultura em grande escala em detrimento dos pequenos. ''A grande novidade é que há uma saída e é a agricultura orgânica'', disse.
Segundo ele, além de incrementar a agricultura em pequena escala, a agricultura orgânica deve ser vista como uma alternativa contra o aquecimento global. ''Ela enriquece o solo, que fica mais fértil e cria mais microorganismos. Esses, por sua vez, captam o carbono do ar, que é o causador do aquecimento''. (M.G.)

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