A tecnologia dos transgênicos não é usada apenas para aumentar a produtividade das lavouras. Organismos geneticamente modificados já são amplamente utilizados em vacinas humanas e, agora, estão sendo feitas pesquisas para combate à aids. Ainda em fase de testes, os estudos introduzem a cianovirina (proteína presente em algas) na soja, milho e tabaco para a sua produção em larga escala. Esta proteína teria condições de impedir a multiplicação do vírus no corpo humano.
Os estudos estão sendo desenvolvidos em consórcio com a participação do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, Universidade de Londres (Inglaterra), Embrapa e um grupo sul-africano. A intenção é produzir o produto em gel (com propriedades germicidas) para que as mulheres apliquem na vagina antes do relacionamento sexual. ''É um método paleativo até que a vacina contra a aids esteja pronta'', salienta Elíbio Rech, pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia.
A intenção inicial é desenvolver o produto para utilização em mulheres africanas, uma vez que o continente apresenta o maior índice de contaminação do sexo feminino no mundo. Além disso, devido à uma questão cultural as mulheres são mais submissas aos homens e, portanto, não conseguem exigir o uso de preservativos. As pesquisas irão indicar qual das três plantas produz o maior teor de proteínas pelo menor custo.
O pesquisador disse que testes com milho, que estão sendo feitos na África, já apresentaram alguns problemas. Também estão sendo tentados acordos com as famílias produtoras de tabaco no Rio Grande do Sul como uma alternativa à produção de tabaco para o fumo. (F.M.)

mockup