Transgênicos dividem pesquisadores
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quarta-feira, 19 de maio de 1999
Da Redação 
A soja transgênica dividiu opiniões entre palestrantes ontem no Congresso Brasileiro de Soja. O assunto foi abordado no debate Questões polêmicas em biotecnologia: aspectos legais, comerciais e ambientais que reuniu na mesma mesa posições divergentes sobre o tema. De um lado, o presidente da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), Luiz Antônio Barreto de Castro, e do outro o pesquisador do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), Carlos Jorge Rosseto.
Castro, afirmou que a soja transgênica não apresenta nenhum prejuízo à saúde humana e nem causa danos ao meio ambiente. Depois de analisarmos, por três meses, as evidências disponíveis, concluímos que a soja transgênica não apresentava prejuízo à saúde humana, garante. Em 97, a pedido da Associação Brasileira de Óleos Vegetais (Abiove), que queria importar soja dos Estados Unidos, a CTNBio avaliou os possíveis prejuízos que a nova tecnologia poderia provocar, quando usada na alimentação humana. No ano seguinte, a CTNBio avaliou questões relativas aos prejuízos ambientais e chegou à conclusão que os transgênicos também não causam dano ao meio ambiente.
Segundo Barreto de Castro, a soja normalmente tem proteínas alergênicas - que provocam alergia - e a transgênica possui os mesmo níveis de alergenicidade que a soja comercial. Os consumidores de produtos derivados da soja nos EUA, que têm produção de transgênica superior a 50%, e da Argentina, onde a produção nacional de soja transgênica é de 70% não são mais suscetíveis à alergia que outros consumidores, exemplifica.
A introdução da soja transgênica no Brasil traz ainda outra questão ao debate: a definição sobre a segregação das áreas de plantio transgênico e convencional. Não existe nenhuma definição se deve haver segregação das áreas e como deve ser o isolamento. Estas questões também esperam por decisão judicial. No outro lado do debate, o pesquisador do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), Carlos Jorge Rosseto acredita que além da questão relacionada à saúde, o cultivo de transgênicos deve ser visto sob a ótica da lei. Existe uma pressão dos detentores da tecnologia de transgênise para impor o sistema patentário que não é compatível com a agricultura, e sim com a indústria. E comparar as duas atividades é uma fraude grosseira, afirmou.
Rosseto, que além de agrônomo é advogado, disse que isso também fere o preceito da Liberdade do artigo 5º da Constituição brasileira. O agrônomo afirmou que com o patenteamento das sementes transgênicas os produtores rurais ficarão dependentes da tecnologia. Haverá uma oligopolização do mercado com os transgênicos, elevando os preços das sementes e retirando a liberdade dos produtores de plantar e vender o que e para quem quiser, afirmou.


