Curitiba - O programa Genoma do Paraná (Genopar) apresentou ontem os resultados do primeiro projeto de sequenciamento com o genoma da bactéria fixadora de nitrogênio ''Herbaspirillum seropedicae''. Os estudos demonstraram que a bactéria pode ser trabalhada em várias culturas como milho, arroz, sorgo, trigo e cana-de-açúcar. Somente com o milho, a estimativa é a de que os agricultores brasileiros pudessem economizar cerca de US$ 420 milhões por ano em fertilizantes. No Paraná, a economia seria de US$ 105 milhões por ano.
O Genopar congrega 11 instituições de ensino e pesquisa, sendo que dez delas são paranaenses. O professor Fábio de Oliveira Pedrosa, coordenador do programa e integrante do Departamento de Bioquímica Molecular da Universidade Federal do Paraná (UFPR), concluiu que a bactéria pesquisada é capaz de produzir amônia a partir do nitrogênio da atmosfera. Ela pode promover o crescimento vegetal e aumentos na produtividade de grãos em até 30%, apresentando potencial como fertilizante nitrogenado biológico e orgânico. ''Os estudos são significativamente importantes. Até mesmo para a população que poderá consumir, a longo prazo, produtos mais baratos'', destacou.
Se os estudos continuarem no Paraná, entre dois e quatro anos os ''Temos que parar com a resistência existente com relação a transgenia. Não podemos transformá-la num mito. A transgenia é importante inclusive para produção de vacinas contra a cárie. Por que não usar essa tecnologia?'', questionou. Para Pedrosa, os estudos vão avançar cada vez mais. ''É um processo sem volta. Quem não se modernizar e não começar a estudar a transgenia vai ficar para trás'', pontuou ele.
Os estudos apresentados ontem renderam ao Paraná certificações em genes descobertos e que são inéditos, podendo ser patenteados. Um deles despolui áreas contaminadas com dinamite e nitrocompostos. ''Seria burrice a gente deixar de incentivar os estudos no Paraná'', destacou Pedrosa. Dados apresentados pelo professor demonstram que o fertilizante nitrogenado usado em plantações gasta energia similar a 14 barris de petróleo e menos de 50% são utilizados efetivamente nas culturas. O restante acaba poluindo a atmosfera e as águas subterrâneas, criando algas e matando peixes.
Para que os estudos saiam do papel, segundo Pedrosa, são necessárias pesquisas de interação entre a planta e o laboratório, testes em campo e modificações de alguns genes que possam aumentar ainda mais a absorção de nutrientes pelas plantas. O genoma dessa bactéria começou a ser estudado em julho de 2002. Pedrosa inicia em janeiro uma nova equipe de trabalho, com o estudo das proteínas de resistência ao estresse hídrico do café. O novo projeto vai contar com R$ 350 mil da Fundação Araucária e outros R$ 350 mil do Ministério da Ciência e Tecnologia.

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