Transferência de tecnologia precisa ganhar força
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sexta-feira, 22 de junho de 2012
Mie Francine Chiba <br> Reportagem Local 
Realizar o encontro do conhecimento científico com o setor produtivo é um grande desafio em todas as áreas, principalmente na de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC). O Paraná possui 1.200 empresas no setor que juntas geram 12.200 empregos e fomentam uma massa salarial de R$ 240 milhões ao ano. No Norte paranaense, são 184 empresas que empregam 1.500 pessoas e pagam em salários um valor estimado em R$ 14,5 milhões ao ano. Ao mesmo tempo, o Estado conta com sete instituições estaduais de Ensino Superior, além de vários institutos tecnológicos.
Para o presidente da Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação (Assespro-PR), Sérgio Yamada, no entanto, a relação entre setor produtivo e instituições de ensino e pesquisa no Paraná está em um estágio inicial. Ele reconheceu, entretanto, que os dois setores precisam aprender a conviver com suas diferenças. ''Falta descobrirmos um jeito de fazer isso (conviver). Predisposição já existe. Entendemos que não há inovação sem pesquisa e não há pesquisa sem academia.''
O presidente da Assespro-PR lembra que existem parcerias no Estado entre empresas e universidades, mas afirma que se tratam de casos isolados. ''O que não existe é uma política continuada para que isso aconteça de forma constante.'' Segundo o coordenador estadual de TI do Sebrae/PR, Emerson Cechin, a capacidade das empresas de interagir com outros setores na área de pesquisa e desenvolvimento corresponde a 25% das condições necessárias à competitividade. ''A interação entre o setor produtivo e a universidade, o conhecimento, é determinante para que possamos ter produtos mais competitivos neste novo cenário em que cada vez mais o resultado entregue ao consumidor final é o que determina se a empresa fica no mercado ou não.''
A coordenadora da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná (SETI), Sueli Édi Rufini também afirma que este relacionamento entre o setor produtivo, universidade e pesquisadores também é um desafio do governo. Ela discutiu o tema com o setor de TIC no Encontro de Líderes da Rede APL de TI realizado nesta sexta-feira em Londrina pelo Sebrae/PR e pela Assespro-PR.
''Temos um grande terreno de produção de conhecimento científico e um setor produtivo empresarial que precisa investir em desenvolvimento tecnológico e inovar. Só que a aproximação entre estes dois setores é algo muito novo, e temos ainda um longo caminho para fazer com que esses dois setores dialoguem'', declarou Sueli.
Para ela, não só no setor de TIC, muitas vezes o Estado fica para trás em termos de competitividade por não ter acesso ao conhecimento gerado no meio acadêmico. Os motivos que dificultam esta comunicação passa até mesmo por paradigmas culturais, que precisam ser mudados. ''Toda mudança cultural é demorada, porque você tem que romper ou criar um terreno de confiança que ainda não existe. Mas o setor empresarial precisa confiar que a universidade, o pesquisador tem algo a oferecer e o pesquisador também tem que saber falar a língua do setor produtivo.''
A Lei de Inovação, tão aguardada pelas empresas do setor produtivo, está em fase final de votação e a expectativa da Secretaria é que ela entre em vigor no segundo semestre deste ano. O Paraná é um dos últimos Estados do Brasil a elaborar a lei. Outra expectativa da Secretaria é que, com a Lei de Inovação, esta relação empresa-universidade seja formalizada e, portanto, facilitada.
A Secretaria também trabalha atualmente no desenvolvimento, junto ao Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), de uma plataforma que vai abrigar um parque tecnológico virtual, cita Sueli. Participarão deste parque os Arranjos Produtivos Locais, as universidades estaduais, os institutos federais, o Senai, o Sebrae, entre outros atores. ''Tendo esta plataforma eles poderão conceder informações, treinamento, antencipar gargalos de produção e trazer as universidades mais próximas das necessidades da região'', enumerou.


