A concentração de renda sofreu uma expressiva redução no Paraná. A renda apropriada pelos 10% mais ricos em 2001 era 55,8 vezes maior que a dos 10% mais pobres. Em 2007, essa proporção foi de 35,6, uma queda de 36,1%. Reflexo de um melhor mercado de trabalho, aumento do salário mínimo e aumento dos auxílios por meio dos programas de transferência de renda, entre eles o Bolsa Família, a menina dos olhos do governo federal.
A melhoria na distribuição de renda também provocou impactos significativos em relação à pobreza e à miséria. Entre 2001 e 2007 a queda foi de 34,15%, o que representa quase 914 mil pessoas saindo da situação de miséria, no Paraná. Os dados fazem parte de um artigo desenvolvido pela estudante do 5º ano do curso de Economia da Universidade Estadual de Londrina, Juliana Carolina Frigo Baptistella, 24 anos. O estudo ganhou o Prêmio Paraná de Economia deste ano, oferecido pelo Conselho Regional de Economia. O artigo foi desenvolvido com base em dados de teóricos da economia e também de pesquisas de órgãos como Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
''A queda na disparidade é positiva porque aponta que a renda dos mais pobres está crescendo mais rápido que a dos ricos'', avalia a aluna. Juliana, sob orientação da professora Solange de Cássia Inforzato de Souza, estuda desde o ano passado os resultados das transferências de renda, entre eles o Bolsa Família, no País, e este ano passou a ver como era o comportamento no Paraná. O estudo, por sua vez, apontou que mesmo o Paraná sendo o Estado com maior concentração de renda da Região Sul, os 50% mais pobres daqui ainda detêm mais renda do que essa mesma classe em âmbito nacional: 16,7% e 15,5% respectivamente.
Em 2006, outro artigo da aluna apontou - com base em dados do IBGE -, que 18,33% dos domicílios brasileiros recebiam algum tipo de transferência de renda do governo: 81% era Bolsa Família, 12,1% de prestação continuada, 2,7% estavam incluídos no Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) e 12,01% em outros benefícios. O Nordeste era a região com o maior número de domicílios incluídos em algum programa: 34%. No Sul, por sua vez, 10,4% dos domicílios recebiam algum recurso do governo: 77% do Bolsa, 11,29%, prestação continuada, 3,77% Peti e 13,22% outros.
Juliana observa em seu artigo que alguns autores, em percentuais diferentes, apontam que a desconcentração de renda está relacionada à melhoria do mercado de trabalho e às transferência de renda. Boa parte desses teóricos afirma, na verdade, que 1/4 dessa queda da diferença entre ricos e pobres é por conta de programas de distribuição de recursos do governo.
Uma avaliação de dados técnicos dos órgãos de pesquisa mostra que durante a década de 1990, a concentração de renda no País era estável e passou a cair a partir do ano 2000, justamente o período em que as transferências de renda aumentaram significativamente. Só para se ter uma ideia, o volume destinado pelo governo federal ao Programa Bolsa Família, entre 2004 e 2008, quase dobrou, passando de R$ 5,5 bilhões para R$ 10,8 bilhões.
®MDNM¯ ''Pela metodologia usada na pesquisa não há como quantificar, mas uma comparação entre dados reflete a relação positiva entre transferências de renda e queda da concentração de renda, principalmente quando comparados os resultados da década de 1990 com os anos 2000 '', observou Juliana. Apesar da desconcentração de renda mostrar que os pobres estão tendo acesso a mais recursos, Juliana comenta que estudiosos nem sempre consideram a forma dessa desconcentração positiva, pois a renda da família acaba ficando mais dependente do governo.
O estudo ainda apontou a redução do número de extremamente pobres no Paraná. Em 2001, essa camada representava 4,99% da população paranaense e, em 2007, caiu para 1,91%, uma redução de 61,7%, o que totalizou 72,5 mil pessoas melhorando de posição. O artigo econômico também mostrou que entre os anos acima citados a taxa de desemprego caiu 27%, passando de 8,5% para 6,2%, respectivamente. E a renda do trabalho - média da soma das rendas de todos os trabalhos da população ocupada - teve significativa melhora e saltou de R$ 546,93 para R$ 645,99, aumento de 18%.

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