São Paulo - Ao confirmar ontem sua saída da presidência-executiva da Transbrasil, o empresário Michel Tuma Ness e os dois conselheiros que o acompanharam na decisão deixaram os controladores da companhia na situação mais difícil desde a paralisação dos vôos, no dia 3 de dezembro.
Vence hoje o prazo dado pelo Departamento de Aviação Civil (DAC) para a apresentação do plano de retomada da operação. De acordo com o porta-voz da companhia, Carlos Badra, os acionistas esperam que o órgão seja ‘‘mais uma vez flexível’’ em relação à crise da companhia.
Em entrevista, Ness alegou que houve ‘‘quebra de confiança’’ por parte dos controladores, representados pelo ex-conselheiro Roberto Teixeira. A gota d’água foi o descumprimento da promessa de regularizar, até hoje (4), o pagamento de salários, atrasados desde outubro, e a recusa em revelar o nome do grupo interessado em investir R$ 200 milhões na companhia.
‘‘Comecei a enxergar que talvez o negócio não fosse feito’’, afirmou Ness, que disse ter sido alertado pela mídia sobre a possibilidade de o próprio ex-presidente Antônio Celso Cipriani, à frente da família Fontana, ser responsável por aportes de capital na companhia, até que ela quebrasse nas mãos de outros administradores. ‘‘Durante esse tempo todo, Cipriani sequer me telefonou. Tratei sempre com Teixeira’’, contou.
Ness esclareceu também que nem ele nem os conselheiros Virgílio Carvalho e Adel Auada assinaram a ata da assembléia que os elegeu para o cargo no dia 31. ‘‘Não chegamos a tomar posse’’, disse. Auada disse que chegou a ser procurado, ontem, pela viúva de Omar Fontana, Denilda, principal acionista da empresa, mas não retornou o telefonema.
O porta-voz da Transbrasil informou que os membros restantes do Conselho estavam se comunicando para escolher um novo nome para a presidência-executiva da companhia e garantiu que o pagamento dos salários será feito de quarta-feira a sexta-feira. Especula-se no mercado que Afonso Coelho, conselheiro indicado por Teixeira, assuma o cargo.

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