Transbrasil pode voltar a voar
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quarta-feira, 12 de dezembro de 2001
Agência Folha<bR>De Brasília 
A Transbrasil poderá voltar a operar hoje se a BR Distribuidora der o crédito de 15 dias de combustível para as aeronaves da companhia. O pedido será apresentado pelo ministro Sergio Amaral (Desenvolvimento) à direção da Petrobras, controladora da BR.
De acordo com o ministro, esse é o prazo que a empresa julga ser necessário para conseguir se reestruturar. O vice-presidente-executivo da Transbrasil, Flávio Carvalho, disse que a empresa parou de voar no dia 3 de dezembro por não conseguir honrar seus pagamentos com a Shell e não por motivos de segurança e de pessoal. A dívida chega a R$ 5 milhões.
Segundo ele, a dívida da Transbrasil com a BR Distribuidora é de R$ 11 milhões e o gasto mensal com combustíveis chega a R$ 10 milhões. A BR está há cinco meses sem fornecer combustíveis para a empresa por conta da dívida, por isso ela passou a comprar da Shell.
A BR Distribuidora braço da Petrobras responsável pela distribuição de combustível ainda não foi informada sobre a liberação de crédito para a Transbrasil voltar a voar. Carvalho afirmou ainda que até hoje a Transbrasil deverá apresentar ao ministro Sergio Amaral um programa de reestruturação da empresa que vai incluir redução do número de vôos e destinos a ser atendidos.
''O corte de pessoal é inevitável'', disse Carvalho, acrescentando que ainda não sabe dizer quantos funcionários teriam que ser demitidos. Hoje, a companhia tem 2.200 funcionários.
Ontem a empresa aérea sofreu mais um golpe. Mesmo que consiga crédito para voltar a voar, terá uma frota menor. A companhia aérea teve de devolver dois Boeings 737-300 para a empresa de leasing Pembroke. Com isso, a Transbrasil passa a ter apenas três aeronaves deste modelo, sendo que uma está em manutenção. A devolução dos dois Boeings para a Pembroke reduziu para 12 o número de aviões da Transbrasil, composta por três Boeings 767-200, três Boeings 737-300 e seis Brasília. Dos 12 aviões, apenas seis estão voando.
Para piorar a situação, ontem a Justiça do Trabalho de Brasília determinou o bloqueio de três Boeings 767-200 da Transbrasil. A decisão tem o objetivo de garantir o pagamento da dívida trabalhista da empresa, que chega a R$ 25 milhões. Segundo a Transbrasil, esta liminar não tem efeito nenhum sobre os negócios da empresa, já que não proíbe os aviões de voar. A liminar impede apenas que os aviões sejam vendidos. A Transbrasil informou que mesmo sem liminar não podia vender os aviões, já que não possui CND (Certidão Negativa de Débito). A Previdência não emite CND para empresas com débitos no INSS.


