A Transbrasil anunciou ontem seu plano de reestruturação operacional para cortar custos e sobreviver no mercado, apesar de sua dívida de US$ 400 milhões. O presidente da companhia aérea, Antônio Celso Cipriani, afirmou que a empresa terá de cortar 989 funcionários no prazo de 90 dias. A companhia também aguarda autorização do Departamento de Aviação Civil (DAC) e da Infraero para concentrar suas operações no aeroporto de Congonhas (zona sul de São Paulo) a partir de setembro.
O plano da Transbrasil prevê o foco no mercado de aviação executiva. Nos próximos meses, a empresa pretende aumentar a receita de passageiros por quilômetro (yield) em 51%. No comparativo com agosto deste ano, a receita subiria de R$ 25 milhões para R$ 4 4 milhões. O vice-presidente da empresa, Flávio Carvalho, admitiu que o número de assentos com tarifas em oferta vai diminuir. Segundo ele, o aeroporto central de São Paulo (Congonhas) tem menores custos do que o aeroporto internacional em Guarulhos (Grande SP), onde a Transbrasil vai manter apenas as operações de carga.
Cipriani declarou que o custo de rescisão dos funcionários será de cerca de R$ 7 milhões. Ele garantiu que os empregados receberão os valores devidos. ''Não é possível a empresa diminuir custos e cortar bases sem modificar o quadro de funcionários'', disse . A Transbrasil tem tido dificuldades para pagar em dia os vencimentos dos seus atuais 2,9 mil funcionários. Além disso, a empresa não tem quitado os compromissos com aposentados e funcionários demitidos, segundo o Sindicato Nacional dos Aeronautas. ''Estamos mesmo com dificuldades porque não temos receita suficiente para pagar os compromissos; mas isso vai ocorrer, apenas talvez não no prazo exigido'', disse o presidente.
A companhia aérea tem uma frota de 12 boeings e seis aviões Brasília da sua subsidiária Interbrasil. Deste total, três boeings 767-200 estão parados, em manutenção. Por causa disso, 200 aeronautas estão em licença remunerada de até 90 dias. Cipriani afirmou que a empresa tem planos de alugar em sistema de leasing seus três aviões próprios para obter uma receita de US$ 60 milhões. Com esse dinheiro a empresa poderia alugar dez aeronaves de outros modelos. Para que isso ocorra, a Tranbrasil precisa receber um a Certidão Negativa de Débito (CND), portanto a empresa terá de renegociar sua dívida com o INSS, calculada em R$ 320 milhões.
O presidente da Transbrasil afirmou que a empresa ainda está renegociando suas dívidas com os credores, que passaram a fazer pressão depois do pedido de falência da General Electric Capital impetrado na Justiça paulista em 12 de julho.

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