Pela primeira vez desde 1992, o capital estrangeiro que ingressou no País foi insuficiente para cobrir o déficit das contas externas. Contabilidade oficial fechada ontem pelo Banco Central registra em 1997 um resultado negativo de US$ 7,871 bilhões no chamado balanço de pagamentos, que inclui todas as operações em moeda estrangeira do Brasil com os demais países.
Os economistas dividem o balanço de pagamento em duas partes, que ajudam a compreendê-lo melhor: as transações correntes e a conta de capitais. Nas transações correntes, são contabilizados os gastos e receitas do País em suas principais transações com outros países. São elas: a balança comercial (importações menos exportações), os serviços (juros, turismo, remessa de lucros etc.) e as transferências unilaterais (recursos enviados espontaneamente ao Brasil por residentes no exterior e vice-versa).
Em 1997, o Brasil registrou um resultado negativo de US$ 33,439 bilhões nas transações correntes. Ou seja, as despesas do País superaram as receitas nesse montante. Para cobrir esse resultado negativo, o país recorre ao capital estrangeiro. É aí que entra a conta de capitais. Nessa conta, é contabilizado o capital que estrangeiros aplicam no País, descontado aquele remetido ao exterior. No ano passado, a entrada de capitais superou a saída em US$ 25,568 bilhões.
Em resumo: o País perdeu US$ 33,439 bilhões nas transações correntes e ganhou US$ 25,568 bilhões na conta de capitais. Assim, teve déficit no balanço de pagamentos de US$ 7,871 bilhões. Em janeiro, as transações correntes registraram resultado negativo de US$ 2,135 bilhões. No mesmo mês do ano passado, o déficit foi de US$ 1,724 bilhão. De lá para cá, houve redução de 23% nos gastos líquidos com turismo e de 44% na remessa líquida de lucros e dividendos. O pagamento líquido de juros cresceu 57%. No resultado acumulado em 12 meses, o déficit em transações correntes equivale a 4,18% do PIB (Produto Interno Bruto, total das riquezas produzidas no País).

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