Imagem ilustrativa da imagem Tráfego de veículos cresce 8,1% no PR e 5,1% na média nacional


Foi divulgado nesta segunda-feira (10) mais um indicador de que a economia brasileira possa ter chegado ao fundo do poço e ensaia uma recuperação, ainda que tímida. Segundo o Índice ABCR, da Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias, o tráfego de veículos nas estradas pedagiadas do País subiu 5,1% no mês passado, na comparação com o mesmo período de 2016. E 1,5% sobre maio deste ano, valor já dessazonalizado.

O levantamento é feito nos três Estados que concentram a maior parte da malha privatizada: São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. Com crescimento de 8,1% perante junho de 2016 e de 2,3% na comparação com o mês anterior, o fluxo de veículos no Paraná puxou o índice nacional para cima. Em São Paulo, houve crescimento de 5,5% na comparação com junho do ano passado e de 1,2% sobre maio. No Rio, a evolução foi de 0,1% e 1,9%, respectivamente. No acumulado do ano, o Paraná tem 2,1% de crescimento, São Paulo, 0,3%, e o Rio de Janeiro, -3,1%.

Somente o Paraná apresentou aumento de fluxo de veículos pesados (2,9% e 0,1%). Thiago Xavier, analista da Consultória Tendência, que produz o levantamento para a ABCR, diz que a variação do tráfego de pesados está muito ligada à performance da indústria. Já a de veículos leves diz mais respeito à renda da população. "Quando a renda cai, as pessoas deixam de viajar ou fazem viagens menores", explica. Para Xavier, o índice reflete melhora, ainda que modesta, do ambiente macroeconômico, com inflação acomodada em patamares baixos e tendência de aumento da renda.

De acordo com o presidente do Sindicato das Empresas de Transportes do Paraná (Setcepar), Marcos Battistella, o aumento do tráfego de caminhões está relacionado à supersafra deste ano. "É o movimento de veículos levando grãos ao Porto de Paranaguá. Não só veículos que saem aqui do Estado, mas de outras regiões, como de Mato Grosso, que têm de passar por aqui. O Paraná tem pedágio por todo canto. Não dá para fugir", destaca.
Battitella acredita que também tenha havido aumento da passagem de carga industrial, não só de produtos finalizados em direção ao porto, mas também de insumos para as fábricas. "Há indicadores de que a indústria melhorou um pouco." Cauteloso ao falar em recuperação, ele considera que, ao menos, há uma estabilização econômica em patamares baixos.

Recuperação gradual
O empresário Gilberto Cantú, da Transportes Diamante, de Curitiba, também acredita que o índice reflete uma melhora no cenário econômico. "Talvez seja o início de uma recuperação gradual. Há uma tendência de a economia se deslocar da política." Para o transportador, os empresários estão cansados da crise política e teriam resolvido tomar providências para melhorar o ambiente de seus negócios. "Além disso, há uma sinalização de que a equipe econômica será mantida, mesmo se o presidente (Michel Temer) cair", ressalta.

Cantú vê o empresariado mais animado. "A coisa ficou tão feia neste País que era preciso melhorar os ânimos." Trabalhando apenas com carga industrial, ele diz que sua empresa vem melhorando aos poucos nos últimos meses. E acredita em uma onda de otimismo "muito grande", capaz de estimular novos investimentos privados, caso o Congresso aprove a reforma trabalhista nesta terça-feira.

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