Em Londrina, empresas com muitos anos de existência, consideradas sólidas no mercado, precisaram encerrar as atividades recentemente. A pandemia do coronavírus as obrigou a fechar as portas por um período, mas a inatividade fez com que os estabelecimentos precisassem colocar um ponto final em sua história.

Na última segunda-feira (8), os proprietários dos restaurantes Matsuri anunciaram, nas redes sociais, o fechamento dos restaurantes. O post, que vem acompanhado de um vídeo, teve grande repercussão nas redes. “Demos o nosso melhor, sempre por cada um de vocês. Fizemos do possível e impossível. Lutamos até o último segundo. Por isso, tomar a decisão de encerrar os restaurantes foi extremamente difícil”, diz um trecho do post.

Em seguida, no entanto, os proprietários anunciaram o negócio em um novo formato. “O Matsuri To Go não é uma nova história. É a continuação da história de uma família que, independente das dificuldades que encontrar pelo caminho, nunca desistirá de trabalhar para conquistar seus sonhos e honrar com seus compromissos”, continua o post.

Segundo Raphael Koyama, filho de Emiko e Cláudio Koyama, donos do Matsuri, o restaurante já vinha passando por uma reestruturação desde janeiro, após a crise econômica e passar por um período de crescimento desordenado. “A gente não podia mais depender de pessoas no salão”, explicou Raphael Koyama. “Cada vez mais as pessoas estão indo menos aos restaurantes pela comodidade de entrega.”

O decreto que determinou o fechamento do comércio em Londrina no dia 20 de março deu ao negócio tempo para encaminhar seus funcionários e pensar em remodelar o negócio com foco no longo prazo. “Essa crise não vai acabar ao longo desse ano. A gente não tem que achar o que vai fazer nos próximos dois meses, a gente tem que achar o que vai nos sustentar a gente ao longo dos próximos anos.”

“Os tempos mudaram”, diz a caixinha onde o sushi e o sashimi, pratos mais vendidos pelo restaurante, agora chegam até o cliente no sistema de delivery. Com os seus clientes em casa cumprindo o isolamento social, Emiko, Claudio e Raphael Koyama se viram diante da necessidade de remodelar o negócio, e a saída encontrada foi na verdade manter as características que os clientes já apreciavam no restaurante, compactá-las em uma caixa e transportá-las às suas casas.

“Mas não é só um delivery de sushi”, destaca Raphael Koyama, filho de Emiko e Claudio. Para os proprietários, os clientes não iam ao restaurante apenas pela comida, mas também pela música, pela decoração, pelo contato com os donos. “Temos 17 anos de experiência, de atendimento.”

O contato dos donos do restaurante com os clientes em casa é estabelecido por meio de mensagens assinadas por eles no interior da tampa da caixinha. A ideia, segundo Koyama, é que a cada novo lote de caixas uma nova história seja contada pelos proprietários. Ao lado da mensagem, um QR Code leva a um vídeo com palavras dos donos do estabelecimento. Na lateral, o cliente também pode acessar as playlists criadas pelo restaurante no Spotify.

O novo formato do Matsuri foi todo pensado pelo filho do casal de proprietários. Enquanto ele apresentava as novidades, ficou impossível para os pais não se emocionarem. Trabalhando em um imóvel da cidade com a ajuda de cinco funcionários, o restaurante segue em frente. “Desistir não é uma opção”, dizem.

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