Curitiba A Tradener, empresa responsável pela venda de energia da Companhia Paranaense de Energia (Copel), está adotando o sistema ''corpo a corpo'' para vender a ''energia velha'' gerada pela estatal. Ontem, a empresa publicou o primeiro anúncio nos jornais, como forma de cumprir determinação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), para dar ampla publicidade à comercialização. O próximo passo é colocar os vendedores em campo para oferecer energia às empresas e prefeituras no Submercado Sul, região onde a Copel atua.
É um modelo alternativo para venda de energia, informou a assessoria da Copel. A comercialização de energia pela Tradener não inviabiliza a intenção da Copel Geração de marcar um novo leilão para venda da ''energia velha''. No volume de energia que a Copel terá que descontratar a partir do ano que vem, a companhia pode vender até 520 megawatts médios. O leilão que deveria ter ocorrido no último dia 20 iria ofertar 320 megawatts médios.
A venda direta da Tradener será uma outra forma de colocar a energia no mercado. Para o analista Mohamed Talah Júnior, da Century Gestão de Recursos, a Copel Geração está agindo corretamente ao tentar desovar já os estoques de energia que estão pagos. ''Hoje em dia trabalhar com estoques significa prejuízo'', frisou.
A Tradener vai ofertar a energia por R$ 75,36 o MW, valor que será reajustado com base na variação anual do Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M), da Fundação Getúlio Vargas. Essa energia será fornecida por um prazo de seis anos, a contar de janeiro de 2003.
Conforme contrato firmado, a Tradener vai receber 2% sobre a comercialização de energia da Copel Geração. O percentual é fixado para todas as vendas intermediadas ou não pela Tradener. Quando for realizado o leilão, a Tradener também vai receber sua margem de intermediação.
O contrato da Tradener com a Copel vem sendo questionado na Justiça Federal desde o ano passado, pelo advogado Abrão Celli. Ele argumenta que a Copel abriu a participação para a Tradener, sem licitação, para venda de energia uma das áreas mais rentáveis da economia. Além disso, Celli questiona o motivo de a Copel participar como minoritária numa sociedade que contraria a lei federal e não tem o amparo de lei estadual. A Tradener teria iniciado com um capital social de R$ 10 mil e que hoje está avaliado em R$ 1,35 millhão.

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