Trabalho informal cresce no País, mostra estudo do Ipea
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quarta-feira, 18 de outubro de 2000
Das agências De Brasília 
O crescimento do nível de emprego nas regiões metropolitanas nos últimos 12 meses não alterou o quadro de trabalhadores informais no País. Segundo o economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Luiz Eduardo Parreiras, dos 930 mil empregos (formais e informais) criados entre agosto de 1999 e deste ano, 574 mil postos de trabalho estão no setor informal, e apenas 172 mil são de trabalhadores com carteira assinada.
Segundo ele, a predominância da ocupação informal é uma preocupação tanto para o governo quanto para a sociedade. Isso porque o mercado informal não recolhe impostos, principalmente para a Previdência Social, o que acaba aumentando o déficit no setor. Depois de quatro anos de estagnação do mercado de trabalho é preciso que esses postos também tenham qualidade, disse. Apesar disso, o economista garantiu que o ampliação do número dos trabalhadores com carteira assinada é maior do que o da População em Idade Ativa (PIA), 2,3% ante 1,9%.
Parreiras expôs sua avaliação durante a apresentação do boletim Mercado de Trabalho, Conjuntura e Análise, elaborado pelo Ministério do Trabalho e do Emprego e pelo Ipea. De acordo com o documento, o mercado de trabalho informal abrange 51,3% dos pobres do País. Para o economista Marcelo Neri, do Ipea, o debate social dos últimos três anos, ao focar o desemprego metropolitano, exclui o pobre.
O ministro do Trabalho e do Emprego, Francisco Dornelles, admitiu que a informalidade atinge principalmente a camada mais pobre da sociedade. No entanto, para ele, o emprego informal não é tão ruim assim. Se você fizer uma análise em São Paulo, por exemplo, verá que o rendimento médio de um trabalhador informal é de R$ 600 mensais. Dornelles fez ainda uma projeção na qual o número de empregos criados em 2000 pode atingir 2,3 milhões.
Segundo ele, o número irá superar a meta prevista pelo governo no PPA (Plano Plurianual de Investimentos) 1,05 milhão de novos postos por ano. De acordo com os dados do ministério, de janeiro a agosto, foram criados 755 mil empregos formais. O ministério não soube informar o número de empregos informais criados no período.
Dornelles observou que o emprego informal não é tão subemprego como foi no passado. Apesar disso, o ministro afirmou que é preciso estimular os empresários a trazer seus funcionários para a formalidade. Uma forma é simplificar a legislação trabalhista e aumentar o poder de negociação entre patrões e empregados, defendeu Dornelles. O ministro acrescentou que medidas já adotadas, como as comissões prévias de conciliação e o rito sumaríssimo na Justiça do Trabalho, também incentivam a formalização do mercado de trabalho. As declarações do ministro foram feitas depois da divulgação do boletim pelo Ipea.
De acordo com o IBGE, em levantamento realizado nas seis principais regiões metropolitanas do País, o nível de emprego apresentou crescimento de 5,7% no período entre agosto de 1999 e agosto de 2000. O crescimento no período, de acordo com o boletim Mercado de Trabalho/ Conjuntura e Análise, aponta trajetória de expansão somente comparável ao período imediatamente posterior ao lançamento do Plano Real.


