Trabalho feito com respeito à natureza
A produção de cestas artesanais não é novidade entre os caingangues da Reserva do Apucaraninha, em Tamarana (62 km ao sul de Londrina). Mas, há quase um ano o trabalho passou a ser profissionalizado, com fins ecológicos e de sustentabilidade do local.
Com a implantação do projeto ''Krekgfy'' (que significa trançado junto), as mulheres da aldeia passaram a desenvolver diversos modelos de cestas com materiais totalmente naturais. ''Isso agregou valor aos produtos'', enfatizou a coordenadora do programa de atendimento aos caingangues, a antropóloga Marlene de Oliveira.
As fibras de plantas tradicionais da região como a criciúma e o bambu são revitalizadas e recuperadas pelas mulheres. A pigmentação para colorir as fibras também é 100% natural. O material é extraído do cipó. ''A partir do cipó é possível obter diferentes tonalidades. Mas é preciso fazer, entre outros detalhes, a retirada certa do produto e a secagem ideal'', ressaltou Marlene.
Entre os cuidados para preservar o meio ambiente da reserva, foi feito um mapeamento da aldeia para saber a quantidade de matéria-prima do local e o que pode ser retirado sem agredir a natureza. ''Temos uma preocupação em fazer a reposição correta dessas plantas para que elas não cheguem à exaustão. O bambu, por exemplo, precisa ser replantado'', disse a antropóloga.
Uma cesta pequena pode ser encontrada por cerca de R$ 20. A produção é vendida para lojas de Londrina e já teve uma remessa enviada para a Dinamarca. Para divulgar mais esse trabalho dos caingangues e conseguir bons negócios, está sendo montado um catálogo de fotos com o trabalho das mulheres da aldeia, que será lançado em julho.
Além disso, o projeto divulga o trabalho através da mídia no geral, cartazes, cartões-postais. Um vídeo etnográfico da produção da cesta também está em fase final e servirá para apresentar o trabalho dos caingangues. ''Queremos divulgar mais a produção das mulheres da aldeia, mostrar o trabalho feito respeitando a natureza, conseguir boas vendas aqui e até mesmo fora do País'', acrescentou Marlene. (E.Z.)





