Trabalho do BC ficará mais fácil
O cenário de desaceleração da atividade econômica e da inflação no segundo semestre deste ano irá facilitar o trabalho do Banco Central, que não terá de ser tão agressivo no ciclo de altas dos juros básicos, acreditam os analistas entrevistados pela AE. ''A gente continua na corrente dovish, achando que o ciclo de aperto monetário não vai ser tão forte como analistas locais estavam trabalhando'', disse Beker.
Ele estima que o Comitê de Política Monetária (Copom) irá subir a Selic em 0,75 ponto porcentual na reunião deste mês e em outro 0,25 ponto porcentual em agosto/setembro. A Selic está atualmente em 10,25% ao ano. A próxima reunião do Copom será nos dias 20 e 21 de julho. ''Eventualmente em setembro a alta pode ser maior'', observou Beker. Para ele, o IPCA deve subir 5% este ano e 4,70% em 2011.
O IPCA ficou estável em junho, em 0,0%, ante alta de 0,43% em maio, abaixo do piso das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções (0,05% a 0,18%). No primeiro semestre, o IPCA acumulou alta de 3,09% e em 12 meses, de 4,84%. Delgado, da Roubini Global Economics (RGE), disse que a inflação no País está ''se estabilizando'', ainda que possa ter algum repique nos próximos meses, e que isso de certo modo irá facilitar o trabalho do Banco Central. Ele projeta mais uma alta de 0,75 pp da Selic este mês e outra de 0,50 pp em agosto/setembro, ainda que não descarte a possibilidade de um aumento de 0,50 pp em outubro.
''Estou mais dovish. Acho que a inflação voltará a crescer, mas a pressão será normal. Com isso, o BC poderá subir os juros mais duas vezes este ano, parar com o aperto e segurar os juros ao longo de todo ano de 2011'', avalia o economista. (A.E.)





