Trabalho de formiguinha movimenta milhões
''É uma economia de formiguinha que movimenta milhões. Em qualquer cidade brasileira com mais de 50 mil habitantes há pessoas vendendo pelas ruas. Por causa da necessidade de se levar dinheiro para casa é esta a maneira que eles encontram para solucionar seus problemas financeiros, que é vendendo produtos na rua'', diz o contabilista José Joaquim Ribeiro.
Existe no Brasil, segundo levantamento do IBGE de 2003, cerca de 10 milhões de pessoas trabalhando como informais. O setor de comércio concentra cerca de 3,5 milhões desse montante. ''Hoje, para cada quatro empresas que abrem no mercado, uma é informal'', analisa Feliciano, do Sebrae. Isso porque, além das consultoras de cosméticos que trabalham para indústrias regulamentadas existem duas atividades que ocupam o tempo de quem trabalha no mercado informal: os produtos importados e a área têxtil.
''Quem gosta mais de comercializar os produtos do importados são os homens. Eles encaram a ida até o Paraguai e todo o risco que correm com a muamba como uma aventura. Já as mulheres preferem vender roupas e os produtos de beleza porque é mais seguro'', explica Ribeiro. Ele acredita que não é apenas a falta de emprego que incentiva a informalidade. ''Se ele tem carteira assinada ele não recebe benefícios sociais como as bolsas família e escola. E sem contar que ter um emprego de salário mínimo e pegar no pesado é menos vantajoso que trabalhar como sacoleira e receber o benefício'', argumenta.
Segundo o Sebrae, os setores que mais crescem no comércio são os de produtos para terceira idade, beleza e vestuário. ''Investir em um pequeno comércio oferece um retorno mais rápido. Não exige conhecimento específico, como a indústria'', acredita Feliciano. Outro aliado é o consumismo que tem incentivado as pessoas a gastarem mais com seus cuidados pessoais. ''Hoje há uma tendência forte em investir no próprio conforto'', finaliza. (R.O.)





