A crise financeira internacional fez com que o nível formal de emprego no País caísse 0,11% em setembro, com a perda de 23.202 postos de trabalho. É a primeira vez, em pelo menos três anos, que ocorreu a diminuição da oferta de empregos em setembro, mês que tradicionalmente registra desempenho positivo nestes índices. A maior queda ocorreu na construção civil, e concentrou-se em São Paulo e Minas Gerais.
Os números divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho ainda não refletem o impacto das medidas do Plano de Estabilização Fiscal, anunciadas no final de outubro. A expectativa é que a oferta de empregos deve continuar diminuindo. ‘‘A chance do nível de emprego manter-se negativo em outubro é maior do que ser positivo’’, admitiu Jatobá.
‘‘Setembro foi o mês em que a crise do setor externo se manifestou com mais ênfase’’, explicou o secretário de Políticas de Emprego e Salário, do Ministério do Trabalho, Jorge Jatobá. Segundo ele, este impacto não se deve às medidas do ajuste fiscal, mas principalmente à retração na entrada de recursos externos e o clima de expectativa que se criou em relação à crise econômica.
‘‘Os empresários criam a expectativa de que os negócios vão diminuir e procuram se antecipar à queda de receitas’’, analisou Jatobá. ‘‘Os consumidores se defendem, procuram gastar menos e os trabalhadores assumem que pode haver desemprego e também tomam medidas acauteladoras.’’ Em setembro de 1997, o nível de emprego aumentou em 0,19% e no mesmo mês de 1996 mais 0,10%.
Para os próximos meses, a expectativa é que o mercado de trabalho continue apresentando resultados negativos. No primeiro trimestre de 1999 deverá ocorrer a retração natural de vagas, em razão do esfriamento da economia e da entrada de jovens no mercado de trabalho.
Outro fator, segundo Jatobá, será o impacto do aumento de impostos nas empresas. ‘‘Nós esperamos que no segundo trimestre de 1999 haja alguma recuperação’’, disse Jatobá. ‘‘Teremos cerca de seis meses de dificuldades no ano que vem.’’ Segundo análise do Ministério do Trabalho, ‘‘as medidas adotadas para contornar a crise externa não surtiram impacto negativo em todos os espaços geográficos, porém, refletiram em todos os grandes setores da atividade econômica’’. A maior queda no número de empregos ocorreu na região Sudeste (-0,40% ou 49.215 empregos), puxado por Minas Gerais, que teve menos 30.535 empregos e São Paulo (menos 17.543 vagas).

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