Trabalho com carteira assinada cresce 11,5%
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sexta-feira, 23 de agosto de 2002
Agência Estado 
Brasília Embora em ritmo menos acelerado, o mercado de trabalho formal continua oferecendo mais vagas para os trabalhadores com carteira assinada. Em julho, foram criadas 61.227 ocupações. Em junho, foram 133.346. No acumulado do ano, o saldo líquido do emprego é positivo em 741.997 postos de trabalho. Isso significa 11,5% a mais que as 645.375 vagas surgidas no mesmo período de 2001. Os números foram divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho.
A análise técnica dos dados retirados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) revelam que a agricultura permanece apresentando o melhor desempenho entre os demais setores da economia em termos de expansão da oferta de emprego. Esse setor respondeu pela criação de 23.974 oportunidades de trabalho em julho. No comércio, houve incremento de 19.139 trabalhadores e em serviços, 12.713.
O emprego vem crescendo em menor escala na construção civil, que conseguiu proporcionar um saldo líquido positivo de 2.077 postos de trabalho no mês passado. Mas é no setor industrial que melhor se observa a desaceleração. Em julho, a indústria de transformação só conseguiu abrir 1.046 vagas. Em maio, por exemplo, o saldo líquido do emprego no setor tinha sido de 25.692 e em abril, o melhor mês para a indústria no ano, a criação de empregos chegou a 44.604.
Para o ministro do Trabalho, Paulo Jobim, o mercado no Brasil vem alcançando resultados excepcionais frente ao cenário de turbulências macroeconômicas que o País enfrenta. Na simples comparação com o ano passado e levando em conta a Pesquisa Mensal de Emprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Jobim lembrou que a criação líquida de postos de trabalho este ano está em 270 mil, 1,6% acima do mesmo período de 2001. A pesquisa do IBGE abrange os mercados de trabalho formal e informal das seis principais regiões metropolitanas.
O ministro admitiu que, a despeito dos bons resultados, a taxa de desemprego este ano está mais elevada, tendo atingido 7,5% em julho. A explicação, segundo Jobim, é simples. O elevado crescimento da População Economicamente Ativa (PEA) este ano, em boa parte causado pelo retorno ao mercado de trabalhadores que já tinham desistido de procurar emprego, tem mantido a taxa de desemprego em níveis elevados, apesar da oferta de emprego ser maior do que a verificada em 2001.


