Os supermercados de Maringá (Região Noroeste) não poderão mais abrir aos domingos. O impedimento foi definido em Convenção Coletiva de Trabalho assinada ontem entre os sindicatos dos Lojistas do Comércio Varejista (Sivamar) e dos comerciários (Sincomar). Os mercados vinham abrindo aos domingos desde junho, quando a convenção expirou e as relações de trabalho passaram a ser regidas pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Procurados pela FOLHA, os supermercados Cidade Canção e São Francisco afirmaram que irão respeitar o acordo, enquanto o Big disse que vai continuar abrindo.
O presidente do Sivamar, Adilson Emir dos Santos, declarou ser, pessoalmente, favorável ao ''livre comércio'', uma vez que shopping, farmácias e lojas de conveniência de postos de gasolina já funcionam em horários mais flexíveis. Mesmo assim, ele considerou o acordo firmado uma ''vitória''. ''Sou representante da maioria e na assembléia 97% declararam ser contrários à abertura aos domingos. Além disso, tivemos ganhos interessantes como os dois domingos do Maringá Liquida (campanha promocional do comércio) e a mudança do trabalho no dia do aniversário da cidade (10 de maio), que fica próximo ao Dia das Mães'', comentou.
''Na verdade, quando os maiores (supermercados) passaram a abrir caiu o movimento dos pequenos e, por isso, a maioria (dos pequenos) votou contra'', afirmou Santos. Porém, ele acredita que os mercados de bairro vão continuar abrindo aos domingos, desrespeitando o acordo firmado. ''Grande parte dos comerciantes 'olha para o seu umbigo', mas acredito que no ano que vem o trabalho aos domingos vai ser aprovado'', complementou. O presidente do Sincomar, Leocides Fornazza, considerou o trabalho aos domingos um dos pontos mais importantes de toda a negociação. ''92% dos comerciários não queriam trabalhar no domingo e foi isso que impediu a assinatura da convenção antes'', afirmou.
Ele também antecipou que amanhã toda a diretoria do sindicato irá percorrer os supermercados para verificar o cumprimento do acordo. Inclusive, os estabelecimentos que trabalharem estarão sujeitos à multa no valor de 20% do salário dos funcionários, por cada empregado e por dia trabalhado. Entre os supermercados consultados, somente o Big afirmou que irá continuar abrindo. Segundo a assessoria de imprensa, o estabelecimento está localizado em um shopping e, por isso, segue o seu horário de funcionamento. Quanto aos funcionários, a assessoria disse apenas que a empresa cumpre as previsões legais.
Acordo - Já a rede de Supermercados Cidade Canção informou que irá respeitar o acordo homologado. ''Tínhamos interesse em abrir porque as vendas estavam boas e os clientes estavam satisfeitos'', argumentou Celso Kuratani Hata, gerente de marketing do grupo. Na sua avaliação, a convenção prejudicou as duas partes envolvidas, uma vez que a empresa iria contratar, pelo menos, mais 60 pessoas caso o trabalho aos domingos fosse homologado. ''O acordo deixou de gerar novos empregos'', salientou.
Já o diretor administrativo e financeiro dos Supermercados São Francisco, Edmilson Segala, disse que o grupo se sente prejudicado pela nova convenção uma vez que o supermercado concorrente, farmácias e lojas de conveniência irão continuar trabalhando. ''Infelizmente não vamos mais abrir, vamos respeitar a convenção. Agora é preparar para 'brigar' no ano que vem'', comentou. Segundo ele, o faturamento no domingo vinha aumentando a cada semana e que o lucro já era superior ao registrado às segundas, terças e quintas-feiras.

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