TRABALHO - Negros e pardos ganham menos
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 04 de junho de 2004
Luciana Nunes Leal<BR>Agência Estado 
Rio de Janeiro - Os elevados índices de desemprego no País são ainda mais dramáticos para a população negra e parda. Enquanto entre os brancos a taxa de desocupação em março era de 11,1%, entre os negros e pardos chegou a 15,3%.
Os dados foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base na Pesquisa Mensal de Emprego (PME). Havia 33 mil negros e pardos a mais do que brancos desempregados nas seis regiões metropolitanas pesquisadas (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife e Salvador). O estudo também revelou uma grande disparidade em relação à renda: negros e pardos ganham metade do que, em média, é pago aos brancos.
Os chamados afrodescendentes, minoria na população em geral e no universo dos ocupados, tornam-se maioria quando se trata de desempregados. Entre os 18,5 milhões de ocupados, 40,8% são da raça negra e parda. Entre os 2,7 milhões de desocupados, a proporção sobre para 50,4% de negros e pardos.
A PME registrou em março taxa de desocupação de 12,8%. Pela primeira vez, os resultados são divulgados segundo a raça da população. Em números absolutos, são 1,373 milhão de negros e pardos desocupados e procurando emprego e 1,340 milhão de brancos.
A região metropolitana no Rio tem a menor taxa de desemprego entre negros e pardos, de 11,8%. No outro extremo está São Paulo, com 18,4%. Na População em Idade Ativa (com 10 anos ou mais), que soma 37,3 milhões de pessoas, 56,5% são brancos, 34% são pardos e 8,5% são negros. A população amarela (1%) e indígena (0,1%) não foi incluída no estudo por ter baixa proporção em relação ao total. O Estado de São Paulo concentra 83,3% dos amarelos das seis regiões metropolitanas.
A discriminação histórica e a baixa escolaridade são fatores determinantes na desvantagem de negros e pardos em relação aos brancos. Com mais acesso à escola, os brancos encontram melhores vagas no mercado de trabalho. E ganham o dobro que os negros e pardos: R$ 1.096 mensais em média, contra R$ 535.
''A desigualdade se reproduz historicamente, não é uma situação que hoje está melhor que há 50 anos. Essas pesquisas dão visibilidade à desigualdade, embora não seja possível desagregar o que é o difícil acesso à educação e o que é racismo'', diz Rosana Heringer, pesquisadora do Centro de Estudos Afro-Brasileiros da Universidade Cândido Mendes e coordenadora da ONG Action Aid Brasil.


