Curitiba - O Sindicato dos Trabalhadores na Indústrias de Porcelana de Campo Largo pretende entrar na Justiça contra a fábrica de porcelanas Schmidt, que está instalada em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba. A empresa demitiu 221 funcionários na unidade do Paraná e pretende parcelar a multa do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e as rescisões em 36 meses. O sindicato é contra o parcelamento. A ação terá que ser ajuizada possivelmente em Araucária porque Campo Largo não tem vara trabalhista.
De acordo com o presidente interino do Sindicato e a advogada da empresa, Silvia da Graça Gonçalves Costa, não devem ocorrer mais cortes na fábrica do Paraná. Segundo ela, o FGTS e o seguro-desemprego serão pagos normalmente a partir de 5 de junho. Pelo fato de propor o parcelamento da rescisão, a empresa vai pagar um salário a mais, procedimento previsto no artigo 477 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
Silvia disse que o parcelamento foi proposto para todos os funcionários. Quanto menor o valor da verba rescisória, menor o número de parcelas, que foram fixadas em R$ 250 cada uma.
A empresa também cortou outros 120 trabalhadores da unidade de Mauá (SP) e 100 na fábrica de Pomerode (SC). A Schmidt está em processo de reestruturação e sofre com a concorrência dos produtos chineses que chega no Brasil até um terço mais barato do que o nacional, o que tem feito a empresa perder mercado. O objetivo das demissões é diminuir a mão-de-obra sem reduzir a produção.
A unidade do Paraná produz pratos e travessas, a catarinense xícaras e pires e a de São Paulo faz a decoração das peças. Só no Paraná, são fabricadas 2,6 milhões de peças por mês.
A Schmidt não é a primeira empresa que demite em Campo Largo. No mês passado, a fabricantes de motores para pequenas máquinas TMT Motoco demitiu 680 funcionários. E a unidade da Tritec Motors - fabricante de motores para veículos - teme o fim do contrato em junho com a montadora alemã BMW, sócia e principal cliente da fábrica.

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