Trabalhadores tiveram aumento real
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segunda-feira, 17 de março de 2008
Rodrigo Lopes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Pelo quarto ano seguido, a grande maioria dos trabalhadores obteve reajustes salariais iguais ou superiores à inflação nas negociações realizadas em 2007. É o que mostra um balanço divulgado ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que no ano passado analisou o resultado de 715 negociações entre patrões e empregados em todo o Brasil. No total, 87,7% das categorias obtiveram aumento real de salários, enquanto que para outros 8,3% o reajuste foi igual ao índice da inflação.
Segundo o Dieese, nos últimos quatro anos pelo menos 70% das negociações salariais terminam com reajustes que correspondem, no mínimo, à reposição da inflação. Desde 1996, quando a entidade criou o Sistema de Acompanhamento de Salários (SAS), responsável pelo levantamento, o período entre 2004 e 2007 é o mais longo em que os trabalhadores vem conseguindo aumentos reais. Antes disso, apenas em 1996 e em 2003 o índice de negociações que superaram a inflação havia passado de 50%.
No ano passado, das 715 negociações analisadas no País, 627 (87%) terminaram com os trabalhadores obtendo reajustes superiores ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em outras 59 (8,3%), o aumento salarial foi igual à inflação. Em apenas 29 (4%), os patrões concederam reajustes menores do que o INPC. Do total de negociações, 53 foram feitas no Paraná, onde foram obtidos resultados melhores do que a méda nacional, especialmente pela recuperação do setor de agronegócios. No Estado, 92,5% das categorias obtiveram aumento real de salários e outros 5,6% conseguiram a reposição integral da inflação.
O economista do Dieese no Paraná, Sandro Silva, afirma no entanto que, apesar de o índice de categorias com reajustes acima da inflação ter se mantido alto em 2007, os aumentos repassados a elas foram menores do que em anos anteriores. ''A magnitude do aumento real diminuiu. No ano passado tivemos um aumento do índice de inflação e isso sempre torna mais difícil a negociação'', diz Silva. Segundo ele, a situação não foi pior graças ao bom desempenho da economia brasileira em 2007, que cresceu 5,4%.
Ainda assim, o economista afirma que os reajustes rapassados aos trabalhadores poderiam ter sido maiores. ''O PIB (Produto Interno Bruto) cresceu, o que representa aumento da produtividade. Mas quem acaba se apropriando desse avanço é o empresário'', justifica. Segundo o Dieese, menos de 3% dos casos de aumentos reais registrados em 2007 equivaleram ou superaram a taxa de crescimento do PIB no ano anterior, que ficou em 3,8%.
Para 2008, Sandro Silva estima que a grande maioria das categorias continue conquistando reajustes iguais ou superiores à inflação. ''Isso porque a inflação deve fechar com índices menores do que os de 2007 e a economia continuará crescendo. No Paraná, temos a previsão de mais uma boa safra, o que ajuda a manter uma perspectiva positiva'', explica.


