Trabalhadores querem reiniciar negociações
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terça-feira, 24 de junho de 1997
Vânia Casado Curitiba 
Os trabalhadores rurais de todo o País vão pressionar o governo federal a reabrir as negociações para discutir as reivindicações do 4º Grito da Terra, interrompidas desde que o movimento invadiu as instalações do Ministério do Planejamento, em Brasília, há pouco mais de dois meses. A Contag pretende reunir cerca de 2.500 pessoas na capital federal, nos dias 2 e 3 de julho, na praça dos Três Poderes. Do Paraná, deverão sair cerca de três ônibus, conforme decisão adotada ontem em reunião na sede da Fetaep.
Para forçar o governo a reabrir as negociações, a Contag pretende convencer a opinião pública sobre a urgência da causa do pequeno produtor. Para isso pretende levar para Brasília tudo o que representa a atividade rural da pequena propriedade, como pequenos animais e manifestações folclóricas regionais. Pretendem até organizar danças de quadrilha e oferecer produtos típicos como pipoca, pinhão, paçoca e outros produtos característicos de consumo na pequena propriedade. Para o presidente da Fetaep, Antonio Zarantonello, os trabalhadores rurais querem mostrar à população como vivem e o que pretendem.
O objetivo principal do 4º Grito da Terra é a implantação de uma política agrícola duradoura que leve em consideração o pequeno produtor e sua família, com projetos de desenvolvimento e acesso ao crédito de forma diferenciada. E também defeder a necessidade de uma reforma agrária ampla para atender os trabalhadores rurais que estão sem emprego e sem terra para viver, explica o presidente da entidade.
No Estado, a Fetaep também pretende pressionar o governo estadual a agilizar o que considera a principal reivindicação do movimento, que é a instalação de um Fundo de Aval para o pequeno produtor. O programa está paralisado, informa. Durante a audiência que os representantes do movimento teve com o governador, a concepção da idéia foi apoiada, tanto por parte do Palácio Iguaçu como por parte da Assembléia Legislativa. Ocorre que a diretoria da Fetaep vem marcando audiências ou encontros para prosseguir com a discussão do Fundo, já que a dificuldade é identificar as fontes de recursos, elas são sempre adiadas ou canceladas, denunciou Zarantonello.


