Ontem, pela manhã, 20 funcionários da Montel Elétricas Ltda realizaram um protesto em frente à empresa, em Londrina. Os trabalhadores afirmam que não recebem honorários desde outubro do ano passado: ‘‘Eles foram contratados para executar serviços de eletricidade no hipermercado Extra, em Salvador (BA). Mas até hoje não receberam’’, denuncia o advogado do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, Jorge Custódio.
O advogado explica que, nesse caso, os funcionários prestaram um serviço quarteirizado: ‘‘O grupo Pão de Açúcar contratou a OAS (empresa pertencente a Antônio Carlos Magalhães), que negociou com a Empoel (empresa de Curitiba), que, por sua vez, firmou acordo com a Montel’’. Além de não ter efetuado os pagamentos referentes a outubro, novembro e dezembro de 2001, a empresa não respeitaria outros direitos trabalhistas: ‘‘Eles não recolhem FGTS, não cumprem as verbas rescisórias, e ainda escravizam seus funcionários. Exigem trabalho de domingo a domingo, das 7 da manhã à meia-noite, e ainda não pagam as horas-extras como deveriam’’, acusou Custódio.
Segundo o advogado, o proprietário da empresa seria Júlio César Tornelli, que estaria em Florianópolis (SC): ‘‘Nunca consegui entrar em contato direto com ele, mas sua secretária me disse que a responsável pelo atraso de salários é a Empoel, de Curitiba’’. No último dia 16, em uma audiência realizada na sede da Delegacia Regional do Trabalho (DRT) na capital, representantes da Empoel asseguraram a Custódio que o pagamento a Montel foi efetuado. ‘‘Mas eles não mostraram nenhum comprovante’’.
Nesta sexta-feira, será realizada uma audiência na Comissão de Conciliação Prévia do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil. A Folha tentou falar com representantes da Montel, da Empoel e com Júlio César Tornelli, mas não os encontrou.

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