Curitiba - Os trabalhadores fizeram ontem um Dia Nacional de Mobilização e Paralisação que teve a participação de bancários, petroleiros, professores e integrantes das principais centrais sindicais. O movimento ficou mais concentrado em Curitiba e Região Metropolitana, mas ocorreram também mobilizações no interior do Estado. Na capital, o principal ato foi um protesto que ocorreu em frente ao prédio da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), no Centro Cívico, organizado pelas centrais sindicais.
De acordo com a organização do movimento, cerca de 600 pessoas participaram do ato na frente da Fiep. Já a Guarda Municipal contabilizou aproximadamente 250 pessoas. A pauta de reivindicações inclui a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais sem redução salarial, reajuste digno para os aposentados, destinação de 10% do PIB para educação, 10% do orçamento da União para saúde, fim do fator previdenciário, transporte público de qualidade, reforma agrícola e igualdade de trabalho entre homens e mulheres.
No entanto, o principal motivo que levou os trabalhadores a protestarem ontem foi o Projeto de Lei 4330/2004 que trata da terceirização e tramita no Congresso Nacional. O presidente da Força Sindical do Paraná, Nelson Silva de Souza, acredita que com a aprovação do projeto podem ocorrer demissões e diminuição de salários. Segundo ele, as centrais trouxeram representantes de Londrina, Ponta Grossa, Maringá, Pato Branco e Foz do Iguaçu para participar do protesto de ontem na capital.
Os bancários atrasaram ontem em uma hora a abertura de 38 agências no centro de Curitiba e realizaram uma assembleia com os trabalhadores no cruzamento da Rua XV de Novembro com a Rua Monsenhor Celso. O presidente da Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Paraná (Fetec), Elias Jordão, disse que em Umuarama as 11 agências da cidade também atrasaram a abertura em uma hora.
Em Londrina, Cornélio Procópio, Apucarana, Toledo, Paranavaí, Campo Mourão e Guarapuava, ocorreram passeatas e manifestações dos bancários na área central destas cidades. Segundo Jordão, em Londrina ocorreu uma passeata que reuniu cerca de 300 pessoas no Calçadão. Jordão lembrou que os bancários estão em negociação salarial e querem 11,93% de reajuste, o que também foi discutido ontem na mobilização.
Os petroleiros promoveram uma manifestação em frente à Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba e bloquearam acessos a empresas que ficam nas proximidades. De acordo com o presidente do Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro) do Paraná e Santa Catarina, Silvaney Bernardi, os trabalhadores se reuniram a partir das 6 horas da manhã em frente à sede da refinaria e protestaram até às 9h30. De acordo com ele, participaram da mobilização cerca de 400 funcionários da Repar e 1 mil terceirizados.
Segundo ele, a produção da refinaria não parou neste período, informação que também foi confirmada pela Petrobras. Bernardi disse que não houve troca de turno, ou seja, os trabalhadores que teriam que sair dos seus postos às 7h30 da manhã, continuaram trabalhando. Ao final, foi realizada uma carreata pelos portões da Repar. O sindicalista destacou que o principal motivo do protesto foi o PL 4330 que, se for aprovado, ‘’será um retrocesso’’.

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