Curitiba - Trabalhadores paranaenses aderiram ontem à mobilização contra a Emenda 3, organizada pela Força Sindical Nacional, nas maiores cidades do País. Em Londrina, foi feita uma panfletagem no Calçadão pela manhã que contou com a participação de mais de dez sindicatos, incluindo as centrais sindicais. No entanto, as manifestações estão sendo realizadas desde a quinta-feira da semana passada e, desde então, cerca de 30 mil informativos sobre a Emenda 3 já foram entregues em locais de grande concentração de pessoas como o terminal urbano e saída de grandes empresas.
Em Curitiba e região metropolitana, metalúrgicos das montadoras de veículos e de outras 10 empresas, atrasaram a entrada em seus turnos como forma de protesto. Segundo o sindicato que representa a categoria, perto de 30 mil trabalhadores participaram da manifestação. Em todo o País, ao menos 300 mil pessoas participaram dos protestos, segundo estimativa das duas principais centrais sindicais, CUT e Força Sindical.
A Emenda 3 modifica regras sobre a fiscalização de empresas prestadoras de serviço constituídas por uma única pessoa. A proposta havia sido incluída pelo Congresso no texto da lei que criou a Super Receita, mas foi vetada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O entendimento da Força Sindical é de que as mudanças propostas restringem a atuação de auditores fiscais e retira direitos dos trabalhadores.
À tarde, houve manifestação na Boca Maldita, no centro de Curitiba, onde foi instalado um painel com o posicionamento de cada deputado federal do Paraná em relação à emenda. O Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba e Região Metropolitana distribuiu jornais com informações sobre as consequências da emenda ao trabalhador.
''É preciso que a sociedade atente para esta Emenda 3, porque ela é o ponta-pé inicial para uma reforma trabalhista camuflada que atende, exclusivamente, os patrões e seus interesses de maior lucratividade'', advertiu a presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba, Marisa Stedile. A entidade também aderiu à mobilização.

Reunião - Terminou sem acordo a reunião do ministro da Fazenda, Guido Mantega, com as centrais sindicais para discutir a alternativa à emenda 3, que foi vetada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho, presidente da Força Sindical, a reunião de ontem marcou o início do processo de construção de uma proposta de governo e centrais sindicais para regulamentar a pessoa jurídica.
Ficou acertado que haverá mobilização tanto do governo e como das centrais para que o Congresso não examine o veto à emenda 3 enquanto não houver um acordo em torno do tema. Segundo Paulinho, uma nova reunião com o ministro da Fazenda e as centrais será realizada no dia 23. Enquanto isso, as centrais trabalharão na construção de uma proposta única a ser apresentada para Guido Mantega. (Com Agência Estado)

mockup