O crescimento do desemprego, o aumento do trabalho informal e a desconcentração industrial, aliadas ao controle da inflação e ao fim de indexação, esvaziaram a força das greves no Brasil, empurrando as categorias profissionais à negociação com a classe empresarial. A avaliação é do especialista em relações de trabalho e assessor da Confederação Nacional da Indústria (CNI), José Pastore, para quem esta mudança na forma de negociar as condições de trabalho no País faz parte de uma tendência mundial.
‘‘O viés ideológico cedeu lugar ao pragmatismo e a rigidez doutrinária foi substituída pela flexibilidade de conduta’’, assinala Pastore em artigo publicado no boletim ‘‘Relações de Trabalho’’, editado pela CNI em dezembro último. Como exemplo dessa mudança Pastore cita a rápida dissipação da movimentação generalizada de greve manifestada por petroleiros, químicos, motoristas, metroviários, bancários e metalúrgicos, para obter melhores salários antes das eleições muncipais de outubro passado.
O assessor da CNI observa ainda que a união das duas centrais sindicais – depois das eleições de outubro – para conseguir 20% de aumento salarial, redução da jornada de trabalho, recebimentos dos atrasados do FGTS, salário mínimo de US$ 100, e aumento dos servidores públicos federais, também durou pouco. ‘‘No primeiro embate a Força Sindical negociou 8% de aumento salarial e pulou fora de uma greve prometida e que nem começou’’, lembra.
Da mesma forma, salienta que os petroleiros, filiados a Central Única dos Trabalhadores (CUT), aceitaram um aumento escalonado de 7,5%, acabando com a paralisação. Também os químicos e os bancários de São Paulo aceitaram reajuste de 7,5% e de 7,2% de reajuste, respectivamente.

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