Arquivo FolhaSem acordo?Nelson Costa, da Ocepar, diz que sindicato foi inflexível nas negociaçõesOs trabalhadores de cooperativas do Paraná podem entrar em greve a partir da segunda quinzena de julho. A informação é do presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Cooperativas Agrícolas, Agropecuárias e Agroindustriais do Paraná (Sintracoop), Mauri Viana, que destaca o descontentamento dos trabalhadores nas negociações que o sindicato vem mantendo com a Ocepar. O sindicato apresentou pauta de reivindicações contendo 74 itens e a entidade não está concordando com quase nada, disse Viana.
A principal reivindicação é salarial, em função da data-base da categoria que foi em junho. Os trabalhadores estão pedindo um reajuste com base na inflação passada, apurada no período, de 6,95% mais 12% de aumento real e 20% da sobra líquida das cooperativas. Esta sobra é o resultado da comercialização da safra 96/97 que, segundo o sindicato, foi boa para as cooperativas. Viana acusou a diretoria da Ocepar de linha dura, porque já se reuniu com a diretoria do sindicato por seis vezes e até agora não houve consenso.
Viana afirmou que não entende o motivo da resistência da Ocepar em não negociar com o sindicato dos trabalhadores. Ele antecipou que as cooperativas do Sudoeste já concordaram em dar 20% da sobra líquida para ser rateada entre os trabalhadores. O restante, acrescentou, será rateado entre os produtores cooperativados. O sindicato reúne 52 mil trabalhadores em cooperativas no Paraná.
A diretoria da Ocepar, por outro lado, informa que está surpresa com o comportamento do Sintracoop de levar esse assunto, que estava sendo discutido internamente, a público. O diretor-técnico da entidade Nelson Costa afirmou que as negociações não evoluíram satisfatoriamente em função da posição inflexível do sindicato. Mas salienta que a entidade sempre esteve aberta às negociações.
Para tranquilizar os trabalhadores, a Ocepar informou que está orientando as cooperativas a dar um adiantamento salarial por conta do acordo que ainda deverá ser firmado com o sindicato. A antecipação é retroativa a junho, afirmou Costa. Em relação a ratear a sobra líquida das cooperativas entre os trabalhadores, Costa informou que essa é uma decisão que cabe a assembléia de cooperados que deve decidir como fazer esse rateio e não a Ocepar, acrescentou. Costa apelou aos trabalhadores para que fiquem tranquilos em relação à negociação com o sindicato porque a Ocepar quer que eles sejam ‘‘parceiros no processo produtivo e não adversários’’.

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