Trabalhadores pedem 14,84% para mínimo estadual
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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Andréa Bertoldi <br> Equipe da Folha 
Curitiba - Centrais sindicais e representantes dos trabalhadores apresentaram ontem a proposta de correção do mínimo regional do Paraná em 14,84% em uma reunião com o governo estadual. Esse percentual envolve o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado de 2010. O valor é mais que o dobro do que a correção aprovada, na última semana, para o mínimo nacional, que foi de 6,46%. No Paraná, cerca de 350 mil trabalhadores são afetados pelo piso regional.
Na última semana, representantes do empresariado já haviam se reunido com o governo estadual e pediram para que não houvesse correção no salário em 2011. O argumento dos empresários é de que o valor do piso no Paraná já é elevado, comparado com outros estados, e que um novo aumento poderia afetar a produtividade das empresas paranaenses, além de poder causar um aumento no índice de desemprego e emprego informal.
Na reunião, o secretário do Trabalho, Luiz Claudio Romanelli, disse que a ideia é que seja feita, no mínimo, a correção pela inflação, o mesmo índice usado pelo governo federal. Uma próxima reunião está marcada para o dia 16 de março com empresários, trabalhadores e governo. Caso haja um consenso, a proposta vai ser enviada para a Assembleia Legislativa do Paraná. A previsão é que chegue ao Legislativo até o final de março. Caso contrário, o governo deve fazer uma proposta e enviar para votação. A medida deve ser sancionada pelo governador Beto Richa (PSDB) até o dia 1º de maio.
O salário é usado por categorias organizadas e só vale para os profissionais que não têm base salarial estabelecida por acordos ou convenções trabalhistas.
O presidente da CUT-PR, Roni Anderson Barbosa, disse que os trabalhadores querem uma política permanente de reajuste que leve em conta a inflação mais a variação do PIB do Estado. Além disso, defende a antecipação da data-base de maio para janeiro, como já acontece com o salário mínimo nacional. ''O piso regional tem a função de distribuir renda no Estado'', disse.
O economista do Dieese, Sandro Silva, destacou que é preciso ter uma política de aumento do salário mínimo regional. ''Apesar de terem ocorrido melhoras no mercado de trabalho, ainda há muita informalidade, rotatividade e baixos salários'', disse. Segundo ele, o reajuste do mínimo regional também deve ajudar a pressionar as negociações das outras categorias de trabalhadores.
O vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Hélio Bampi, disse que o setor produtivo defende o reajuste do mínimo regional baseado na meta de inflação do governo federal para este ano que é de 4,5%. ''O salário do Paraná é o maior do Brasil. Temos que praticar um mínimo realista para as condições econômicas e visando o desenvolvimento do Estado. Esse aumento de 14,84% é fora da realidade'', disse. Ele acredita que o ideal seria a negociação por segmento produtivo e regionalmente.


