Trabalhadores param por redução de jornada
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terça-feira, 27 de maio de 2008
Marcela Rocha Mendes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Centrais sindicais de todo o Brasil farão manifestações hoje no Dia Nacional da Luta pela Redução da Jornada de Trabalho. O ato pede a aprovação do Projeto de Emenda Constitucional (PEC) 393/01 que reduz a carga horária de trabalho semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial. Em Curitiba, as categorias farão manifestações próprias no período da manhã com passeatas, paralisações e outros atos. Às 10 horas, os trabalhadores se reúnem na Praça Afonso Botelho (Praça do Atlético) e seguem em marcha até a Praça Rui Barbosa onde, às 11 horas, iniciam um ato público.
Participam da reivindicação trabalhadores metalúrgicos, químicos, petrolíferos, servidores públicos, do setor alimentício e outros. O Sindicato dos Vigilantes deve fechar empresas e garagens antes do ato. Segundo o presidente do sindicato, João Soares, cerca de 6 mil vigilantes em Curitiba e Região Metropolitana trabalham em regime de 8 horas diárias de segunda a sábado ou no sistema 12 por 36 horas. ''Estamos confiantes da aprovação da PEC, já temos o apoio do prefeito Beto Richa e do governador Roberto Requião, mas ainda precisamos do apoio da sociedade'', afirma.
Alguns sindicatos participam do ato em solidariedade aos demais trabalhadores. É o caso dos servidores públicos municipais, que já têm jornada semanal de 40 horas. ''Vamos dar apoio às categorias que precisam da redução da jornada e manifestar nossa luta pela jornada semanal de 30 horas para servidores da saúde e educação'', afirma Irene Rodrigues dos Santos, presidente do sindicato dos servidores públicos municipais de Curitiba.
Outro sindicato com reivindicação própria é o dos professores. Segundo José Lemos, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Paraná (APP-Sindicato), hoje os professores darão aulas de 30 minutos, 20 a menos que o habitual, e no tempo restante farão debates com pais e alunos. Também será feito o anúncio de uma paralisação de 24 horas em todo Paraná prevista para o dia 4 de junho. A categoria reivindica isonomia salarial dos cargos de nível superior dentro do poder executivo, aprovação do plano de carreira dos funcionários de escolas, opção pela jornada de 40 horas sem a necessidade de um novo concurso e a regulamentação da lei 11.301/06 que considera diretores de escola e pedagogos como funções de magistério.
Apesar de pressionados pelos organizadores do ato, o Sindicato de Motoristas e Cobradores nas Empresas de Transporte de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc) negou que haverá paralisação do transporte público durante o dia. Para Denilson Pires, presidente do Sindimoc, existem outras formas de fazer o protesto. ''Apoiamos em 100% a causa, mas não podemos deixar cerca de 2 milhões de pessoas a pé em Curitiba'', explica. A categoria tem jornada semanal de 36 horas.
Segundo informações da Central Única dos Trabalhadores (CUT), a medida poderá criar até 2,2 milhões de novos empregos. A CUT espera que cerca de 1 milhão de trabalhadores participem das manifestações.


