Trabalhadores paralisam obra de novo shopping na Zona Leste
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
Fábio Galiotto <br> Reportagem Local 
Os trabalhadores da construção do Boulevard Londrina Shopping, ao lado do Marco Zero de Londrina, fecharam ontem a entrada da obra e cruzaram os braços, para pedir melhores condições de trabalho e cumprimento do contrato de trabalho. São cerca de 1,4 mil funcionários no local, a maioria com origem na Região Nordeste do País, segundo o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil (Sintracom), que reclamavam principalmente que fosse respeitado o direito a uma viagem a cada 120 dias para rever parentes.
Por volta das 6h de ontem, os trabalhadores começaram a chegar à obra, mas não entraram no canteiro. Eles se reuniram em frente ao local, à espera de respostas da empresa OAS Engenharia, responsável pela construção, sobre as reivindicações. Um grupo de 15 pessoas que aguarda por viagens há mais de 30 dias além do prazo estipulado havia parado já anteontem, sem conseguir negociar.
A assessoria da Sonae Sierra Brasil, proprietária do empreendimento, informou que acompanha de perto a negociação e que o problema é com a OAS. Sobre risco de atraso na obra, a empresa respondeu, por meio de sua assessoria de imprensa, que a data de entrega do shopping é no primeiro trimestre de 2013 e que ''os cronogramas do empreendimento estão em dia''.
Mais reclamações
Outro problema apontado é em relação à oferta de alimentação, que teria levado 50 trabalhadores ao hospital por intoxicação alimentar recentemente. Funcionários mostraram à reportagem fotos de carne de frango servida quase crua e disseram que um colega de empresa foi demitido depois de reclamar de uma mosca encontrada em meio à comida.
A falta de segurança também é motivo de reclamação. Segundo o Sintracom, são dois alojamentos para abrigar cerca de mil funcionários, com quatro pessoas por quarto. Ao menos em um dos locais, aproximadamente 500 trabalhadores usam apenas uma entrada, por um corredor com um metro de largura, sem contar com saída de incêndio. Outro problema são os ônibus que fazem o transporte de funcionários. Ao menos dois estão com portas amarradas com cordas, o que também dificulta a saída em caso de acidentes. Dentro da obra, a reclamação é de falta de assistência médica quando necessária.
''Já levamos um funcionário ao hospital deitado em uma madeirite, dentro de um Gol'', disse um dos trabalhadores, que pediu para não ser identificado.
O secretário de finanças do Sintracom, Luiz Afonso de Melo, disse que sindicalistas anotaram ainda reclamações sobre falta de pagamento integral de vale alimentação em caso de um dia de falta e atraso no reajuste salarial. ''O advogado do sindicato e uma comissão de funcionários vai negociar com a empresa e o objetivo é resolver amigavelmente. Senão, vamos ao Ministério Público do Trabalho'', disse Melo.
Na tarde de ontem, o presidente do Sintracon, Denilson Pestana da Costa, se reuniu com representantes da construtora OAS para tentar resolver o impasse. Ele disse que conseguiram avançar em diversas situações, ''como a liberação para viagens a cada 120 dias, melhores condições no alojamento, reajuste salarial de 10% a 12% e alimentação adequada''.
Porém, durante assembleia realizada logo após a reunião com a construtora, os trabalhadores decidiram permanecer de braços cruzados hoje até que todas as questões sejam atendidas. Entre as principais estão: abono anual de R$ 800 no salário, eliminação do aviso prévio e liberação dos colaboradores por 4 horas, duas vezes por mês, para realizar transferências bancárias. ''Os representantes da OAS disseram que levariam as reivindicações para São Paulo e nos apontariam uma nova proposta. Permaneceremos paralisados amanhã (hoje) aguardando uma resposta.''
A reportagem da FOLHA tentou contato com o pessoal da OAS em Londrina e com a assessoria de imprensa da construtura em São Paulo, mas ninguém retornou as ligações. Em nota divulgada no final da tarde, a direção do Boulevard Londrina Shopping reiterou ''que está acompanhando todo o processo e junto com a OAS busca uma rápida dissolução.'' (Colaborou Victor Lopes)


