Curitiba Cerca de 1,5 mil funcionários da Eletrolux, em Curitiba, entraram em estado de greve ontem. Segundo a Central Única dos Trabalhadores (CUT), que está comandando o movimento de greve, cerca de 300 trabalhadores já cruzaram os braços ontem e o restante ameaça parar as atividades a qualquer momento caso a empresa não aceite negociar uma proposta de reajuste. A CUT informou que a Eletrolux só aceita negociar se o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Eletro-eletrônica (Sinletroar), que representa os trabalhadores, estiver presente. E, ainda segundo a CUT, o Sinletroar não está querendo participar da negociação.
A reivindicação dos trabalhadores da Eletrolux, segundo o representante da CUT, Deonísio Schmidt, é a reposição salarial de 30%, referente à inflação do período e mais resíduos que ficaram dos últimos seis anos, participação nos resultados de no mínimo R$ 1,2 mil por semestre, a substituição do banco de horas pelo pagamento de horas extras e a criação de uma comissão de fábrica para representar os funcionários dentro da empresa. Ontem os funcionários foram dispensados uma hora antes do horário habitual porque a paralisação parcial já teria inviabilizado a produção.
O presidente da CUT-PR, Roni Barbosa, afirmou que esteve ontem com representantes do Sinletroar e ouviu o argumento de que eles já fizeram uma assembléia na última quinta-feira e lá resolveram a questão. ''A assembléia foi muito rápida, sem discussão. Se estivesse tudo certo os trabalhadores não teriam nos procurado, como fizeram'', afirmou. Segundo Barbosa a fábrica só negocia se o Sinletroar estiver presente. ''Pedimos que eles viessem'', disse Barbosa. A resposta do sindicato se vai voltar a negociar deve ser dada hoje.
A Eletrolux informou à reportagem da Folha, por meio de sua assessoria de imprensa, que não vai se pronunciar sobre o estado de greve de seus trabalhadores e nem quanto a eventuais contrapropostas salariais a eles. Já a telefonista do Sinletroar informou à reportagem que nem o presidente do sindicato, Paulo Bastos, nem qualquer outro membro da entidade poderia falar ontem porque estavam todos em reunião.

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