Trabalhadores ligados à CUT preparam protesto
O diretor do Sindicato dos Bancários de Londrina, filiado à Central Única dos Trabalhadores (CUT), João Antonio da Silva Neto, diz que a entidade tem convicção de que a conta dos expurgos do FGTS cabe, inteiramente, ao Tesouro Nacional. O dinheiro estava depositado nos bancos, sob responsabilidade do governo, e não sofreu correção pelos índices corretos. Temos que buscar alternativas para a forma de pagar essa conta, diz.
A categoria realiza assembléia hoje, às 19 horas, para discutir a questão e também para organizar as manifestações previstas para 4 de abril, Dia Nacional de Paralisação pelo pagamento dos expurgos do FGTS. Segundo João Neto, os valores transferidos para o empresariado acabariam recaindo sobre os ombros dos trabalhadores na forma de repasse aos preços dos produtos e mercadorias e através da sonegação e aumento no índice de desemprego. Com aumento da folha de pagamento, as empresas poderiam desencadear um processo de demissões.
O presidente da CUT, João Felício, não participou do encontro com o presidente porque, segundo ele, só foi convidado quem estava a favor da proposta. A central alega que o valor de deságio dos trabalhadores (que somará mais de R$ 5 bilhões) é quase igual ao montante que será despendido pelo governo. Os credores teriam de pagar valor quase igual aos dos devedores, disse ele. A CUT vai realizar um protesto em Brasília e orientar seus associados a recorrerem à Justiça.
Também o advogado trabalhista Alberto de Paula Machado, de Londrina, sustenta que a conta é do Governo, que foi o único a lucrar com o não reajuste do FGTS. A proposta é injusta. Mesmo considerando precoce uma discussão jurídica sobre o tema, o advogado lembra que, dependendo da forma como for determinado o pagamento dos expurgos, poderá haver questionamentos jurídicos sobre o tema. (Benê Bianchi)





