Trabalhadores estão fazendo mais horas extras
PUBLICAÇÃO
sábado, 27 de setembro de 1997
Agência Estado Brasília 
O total de trabalhadores fazendo hora extra na indústria aumentou quase 50% nos anos 90, em comparação com os anos 80. Esse crescimento ocorreu apesar do aumento do desemprego, que passou de 7,3% da População Economicamente Ativa (PEA) da Grande São Paulo para 14,2%, segundo a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), feita na Grande São Paulo pela Fundação Seade e Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-econômicos (Dieese).
Na média dos anos de 1985 e 1990, 28,6% dos operários da indústria na Grande São Paulo trabalhavam acima da jornada legal. Essa proporção sobe para 42% nos anos de 1995 e 1996, de acordo com cálculos feitos pelo economista Márcio Pochmann, do Centro de Estudos Sindicais e da Economia do Trabalho (Cesit) da Unicamp, com base na Pesquisa de Emprego e Desemprego.
A comparação entre o volume de horas extras na indústria mostra que o total de operários trabalhando além da jornada legal aumentou 46,9% entre os anos 80 e os 90. As empresas se modernizaram e fizeram ajustes, mas quem ficou empregado está trabalhando mais, observa Pochmann.
Quando a comparação é feita entre todos os assalariados (que inclui trabalhadores do comércio e de serviços com e sem carteira de trabalho assinada), o crescimento é um pouco menor. Na média, 31% dos assalariados da Grande Paulo fez hora extra no período 1985-90. Nos anos de 1995 e 1996, essa proporção sobe para 41,4%, indicando um aumento de 33% nesta prática.


