Trabalhadores das indústrias moveleiras de Arapongas (37 km a oeste de Londrina) iniciaram ontem uma greve por tempo indeterminado. A paralisação ocorre depois de três meses de negociações realizadas sem sucesso. Os empregados lutam por um reajuste salarial de 10%, enquanto a classe patronal já concedeu aumento de 7% neste mês. Outro ponto de impasse é a implantação do banco de horas, uma solicitação do sindicato patronal. O pólo moveleiro de Arapongas é o segundo maior do país.
A estimativa do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Moveleiras de Arapongas é que cerca de 70% dos funcionários - dos mais de 5 mil - tenham aderido ao movimento. Já o Sindicato das Indústrias Moveleiras de Arapongas (Sima) afirma que das 150 empresas, apenas 20 paralisaram. O atual piso salarial da categoria é R$ 423 por uma jornada de 44 horas semanais. No entanto, no último dia 5, os patrões reajustaram os salários para R$ 452 - um aumento de 7% - mesmo sem a formalização da Convenção Coletiva de Trabalho.
Também foi paga toda a diferença retroativa a maio (data-base da categoria). O sindicato dos empregados quer um piso de R$ 465. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores, Manoel Francisco da Silva, disse que ontem fechou quatro acordos, em separado, com indústrias ''grandes e pequenas'' e que hoje seriam formalizados novos acordos. Segundo ele, essas empresas concordaram em conceder um aumento de 10% sobre o salários dos funcionários.
No entanto, o advogado do Sima, José Manoel Fernandes, afirma que essa informação é incorreta. ''O Sima tem o controle da situação. O que eles (sindicato dos empregados) querem é jogar um empresário contra o outro, querem tumultuar e confundir a todos'', rebateu. Segundo ele, a Federação Estadual dos Sindicatos dos Trabalhadores já fechou um acordo por um reajuste salarial de 7% e o mesmo sindicato - que também representa os empregados da construção civil - já aceitou um reajuste de 7%.
''O pólo moveleiro de Arapongas tem um dos maiores pisos do país e um reajuste de 10% vai inviabilizar o setor. Esse aumento é impossível e a atual conjuntura não permite'', comentou Fernandes. Ele acrescentou que desde o início do ano as empresas de Arapongas demitiram mais de 2 mil funcionários. ''Fazer uma greve neste momento é uma insensatez. A situação econômica está difícil e o setor ainda está passando por uma crise'', argumentou. No entanto, ele descartou a demissão dos funcionários grevistas.
Negociação - Já está marcada para amanhã, às 10 horas, uma mesa-redonda entre patrões e empregados na sede do Ministério do Trabalho, em Curitiba. Além dos presidentes dos dois sindicatos, devem participar também representantes das federações das duas categorias. Esta será a oitava reunião realizada entre as classes desde maio. Deste total, três delas ocorreram na sede da Delegacia Regional do Trabalho, em Londrina.

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