Apenas 20% das vagas ofertadas pelas montadoras Crysler, Renault e Audi serão preenchidas por trabalhadores paranaenses - o restante deve ser ocupado por mão-de-obra de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. A afirmação é do presidente da Força Sindical do Paraná, Sérgio Butka, que esteve ontem em Londrina acertando detalhes para a implementação de quatro cursos de qualificação profissional. ‘‘A Força está preocupada em fazer com que o trabalhador ocupe um espaço no mercado profissional’’, afirma. Ele acredita que os trabalhadores do Estado vão ocupar vagas no setor de autopeças, que não exige grande capacitação.
Os cursos da Força começam no próximo dia 13. Serão oferecidas 1 mil vagas nas áreas de informática, inglês, espanhol e mecânica básica em Londrina. As inscrições podem ser feitas nos sindicatos dos Trabalhadores Metalúrgicos, Alimentação, Gráficos, Turismo, Refeições Coletivas e Fiação e Tecelagem. O local dos treinamentos ainda não foi definido. Em Apucarana e Jacarezinho, as inscrições começam no próximo mês.
Butka também visitou, ontem, alguns imóveis em Londrina. Ele está escolhendo um local para instalar a sede da regional da Força Sindical, que provisoriamente funciona junto com o Sindicato dos Metalúrgicos. ‘‘Estamos instalando quatro regionais da Força, em Londrina, Maringá, Cascavel e Curitiba’’.
A previsão da Força Sindical é formar entre 5 mil e 6 mil trabalhadores em todo o Estado neste ano. Destes, 2 mil serão de Curitiba, onde 1,5 mil vagas dos cursos promovidos pela Força foram preenchidas em menos de uma semana, no início deste mês. Em 97, a Força Sindical formou 1,5 mil alunos em Curitiba. Em São Paulo, foram 15 mil.
Os cursos, que serão realizados em várias cidades do Paraná, são gratuitos e têm 100 horas de duração. ‘‘Além de um lanche, damos vale transporte para facilitar a locomoção dos alunos’’, afirma Butka. A qualificação é promovida através de um convênio com o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), que tem um orçamento destinado a capacitação de mão-de-obra. A Força Sindical recebeu R$ 9 milhões para aplicar em qualificação de trabalhadores ou desempregados em todo o País. ‘‘A Força do Paraná ficou com R$ 1,2 milhão deste total’’, diz Butka. ‘‘O governo do Estado também recebe recursos do FAT para promover cursos profissionalizantes. Mas, como no ano passado o Estado devolveu R$ 10 milhões ao FAT, neste ano recebeu apenas R$ 9 milhões. Já Santa Catarina recebeu R$ 29 milhões’’, compara.
‘‘Temos que reciclar quem está fora ou dentro do mercado, criando condições para que os trabalhadores aprendam novos profissões’’, afirma Butka. ‘‘É por isso que, no próximo ano, teremos cursos de manutenção de computadores e de instalação de antenas de TV a Cabo’’.
Um dos projetos da Força Sindical é lançar neste ano uma cooperativa de trabalho para pequenos serviços. ‘‘Vamos treinar pessoas que trabalharão como autônomos como eletricistas, encanadores e pedreiros. No verão de 2000, pretendemos montar uma cooperativa em Matinhos para oferecer serviços deste tipo no litoral durante a temporada’’, conta Butka, que também é vice-presidente da Força Sindical nacional. No Paraná, existem 760 mil trabalhadores filiados a central.Josoé de CarvalhoFalta capacitaçãoSérgio Butka, da Força Sindical no Paraná: paranaenses vão ocupar vagas nos setor de autopeças
crédito:Cláudia Lopes

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