Luiz Oneda, 70 anos. Ele é brasileiro e mora em Guaíra, mas todos os dias atravessa o Rio Paraná para trabalhar em Salto del Guairá. Operador de máquinas, ele consegue ganhar até R$ 3 mil por mês trabalhando nas obras da cidade paraguaia. ''O pessoal daqui é muito receptivo e paga razoavelmente bem'', comenta Oneda, que é um dos muitos brasileiros que trabalham no país vizinho.
''Aqui em Salto del Guairá temos muita dificuldade para encontrar mão de obra para sustentar o ritmo alucinante de crescimento da construção civil por dois motivos: a cidade é pequena e, por ser região de fronteira, muita gente prefere ganhar um pouco mais trabalhando para traficantes. Então, recorremos aos brasileiros'', lamenta um engenheiro paraguaio que pediu para não ser identificado.
O crescimento de Salto del Guairá reflete na paranaense Guaíra, onde também é difícil encontrar mão de obra para as construções. ''Para uma ampliação na minha empresa tive que esperar alguns meses pelos pedreiros. Os lojistas da nossa cidade também enfrentam problemas para conseguir funcionários. Tem muita gente daqui trabalhando no Paraguai'', destaca Jair Schllermer, presidente da Associação Comercial e Industrial de Guaíra (Acig).
Segundo Schllermer, a expansão da cidade paraguaia provoca alguns fatores positivos ao município paranaense, como para o setor imobiliário. ''Muita gente que trabalha por lá vem morar em Guaíra por ser uma cidade mais estruturada'', explica. Por outro lado, o comércio é prejudicado. ''As pessoas daqui preferem fazer compras no Paraguai. Os turistas nem passam por dentro de Guaíra, eles vão direto para o outro lado'', lamenta. (W.S.)

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