Um ano após a implantação (1998) da Renault no Paraná, os casos de LER na montadora eram tantos que os trabalhadores chegaram a fazer um dia de paralisação exigindo providências. Segundo o Sindicato, a empresa chegou a ter 120 suspeitas de LER. Há afirmações, no entanto, de que cerca de 400 empregados foram acometidos pela doença, mas esconderam a situação com medo de serem demitidos.
‘‘A diferença é que a Renault negocia e a Volkswagen/Audi se nega a discutir o assunto’’, diz Mannala. De lá para cá, segundo ele, a empresa francesa adequou sua linha de produção para reduzir os impactos na sa© úde do trabalhador. Um dos problemas é que a linha de montagem era baseada no tipo físico do francês, normalmente mais alto que o brasileiro.
Atuais e ex-funcionários da Renault, no entanto, ainda reclamam das condições de trabalho. ‘‘Até hoje a Renault não emite CAT quando há supeita de doença do trabalho’’, diz um empregado que não quis se identificar. O diretor de Recursos Humanos da empresa, Marcelo Maulepes, nega. ‘‘A Renault é uma empresa francesa, tem 3 mil empregados aqui e não iria expor seu nome assim. A empresa cumpre a lei rigorosamente’’, diz.
Os funcionários contestam. ‘‘A Renault disse que acabaria com a LER dentro da empresa, daí contratou um médico do trabalho, Paulo Zétola, que simplesmente nega em todas as consultas que seja doença do trabalho. Ele examina, diz que é doença comum, não emite CAT, libera o funcionário para voltar ao trabalho. Com isso, a empresa fica livre para demitir o trabalhador’’, dizem. (M.G.)

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