Curitiba - A partir de 1º de junho os trabalhadores de cooperativas do Paraná não trabalharão mais aos sábados, como forma de pressionar as empresas a reduzir as demissões da categoria. Com a decisão, tomada ontem durante o 8º Congresso Estadual dos Trabalhadores em Cooperativas no Paraná, realizado em Curitiba, a expectativa é que as cooperativas terão que aumentar em pelo menos 5% o número de empregados. Serão cerca de 2,5 mil novos empregos acrescidos aos atuais 52 mil trabalhadores contratados em 68 cooperativas do Estado.
O presidente da Federação dos Trabalhadores em Cooperativas no Estado do Paraná (Fetracoop), Mauri Viana Pereira, explica que a maioria das cooperativas faz acordos para compensação de jornada de trabalho, no qual o empregado trabalha 43 minutos a mais de segunda a sexta-feira e não trabalha aos sábados. No entanto, pelo menos duas vezes por semana é comum os empregadores convocarem os empregados para realizar horas-extras ao sábados. ''Com isso, ele não precisa contratar mais gente'', diz.
De acordo com Viana Pereira, a crise enfrentada pelo setor cooperativista é resultado do baixo valor do dólar. ''As cooperativas estão ganhando menos porque o dólar está baixo e não por queda de produção. Ao contrário, os trabalhadores estão trabalhando, e muito'', afirmou.
Aproximadamente 3,2 mil trabalhadores de cooperativas do setor agrícola e agronegócio participaram do congresso, que definiu a pauta de reivindicações da categoria a ser negociada com a Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar). A data-base dos empregados em cooperativas é 1º de junho.
Entre os principais itens, estão os pontos econômicos. Os trabalhadores reivindicam 25% de reajuste salarial índice que inclui as perdas da última década e 6% de aumento real; e tíquete-refeição no valor de meio salário mínimo. Hoje o piso da categoria é de R$ 450, sendo que a média salarial é de R$ 1,1 mil.
No congresso, que contou também com a presença de trabalhadores de outros estados, foi criada a Federação Nacional dos Trabalhadores em Cooperativas. Com a criação da entidade, segundo Pereira, a categoria quer ter um órgão com representatividade nacional e competência, por exemplo, para ingressar com ações judiciais e Ações Diretas de Inconstitucionalidade em nome dos trabalhadores do setor.

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