Trabalhadores da VW abandonam fábrica
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quarta-feira, 10 de junho de 1998
Agência Estado 
Trabalhadores da Volkswagen de São Bernardo do Campo (SP) abandonaram ontem a fábrica para assistir ao jogo entre Brasil e Escócia, o primeiro da Copa do Mundo 98. Eles não tinham aceitado a proposta de compensação feita pela empresa e decidiram em assembléia na semana passada que iriam trabalhar. Por volta das 10h30, entretanto, mais da metade dos 12 mil funcionários do primeiro turno deixou seus postos e foi embora. A linha de produção foi totalmente paralisada.
Na Ford, o pessoal ligado à produção folgou, pois já havia compensado essas horas. Contudo, boa parte dos cerca de mil funcionários da administração simplesmente não compareceu aos escritórios. Eles decidiram anteontem, numa assembléia em clima de revolta, faltar em bloco. A montadora havia proposto dispensá-los do trabalho num curto período: entre meio-dia e 14h45.
O diretor de Recursos Humanos da Volks, Fernando Tadeu Perez, informou que as horas não trabalhadas serão descontadas na folha de pagamento. Ele não soube informar os prejuízos da fábrica, que produz cerca de 1,2 mil carros ao dia. O turno da tarde operou em ritmo mais lento do que o normal por causa da paralisação ocorrida pela manhã.
Logo após o jogo, Perez e representantes da Comissão de Fábrica se reuniram para discutir uma nova forma de compensação para a dispensa durante os próximos dois jogos da seleção brasileira, nos dias 16 e 23, ambos às 16 horas. Até o fim da tarde eles não tinham chegado a um entendimento.
A Volkswagen é a única montadora que não conseguiu chegar a um acordo com os trabalhadores da produção para as dispensas durante os jogos do Brasil. Os funcionários não aceitaram a proposta de trabalho integral no sábado e queriam receber hora extra. General Motors, Fiat, Scania, Mercedes-Benz e Ford (somente o pessoal da produção) aceitaram compensar o período não trabalhado aos sábados ou com a prorrogação da jornada durante a semana.


