Trabalhadores da Volvo em Curitiba protestam contra demissões
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quarta-feira, 10 de dezembro de 2014
Cecília França<br>Reportagem Local 
Trabalhadores da linha de produção da Volvo, em Curitiba, paralisaram as atividades ontem em protesto contra a demissão de 206 funcionários, confirmada pela montadora. A empresa alega necessidade de adequar a produção à atual demanda do mercado, mas o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC) pede manutenção do nível de empregos. Segundo a empresa, dois mil funcionários cruzaram os braços ontem. Uma nova assembleia da categoria está confirmada para as 8h de hoje, em frente à fábrica na Cidade Industrial da capital.
Sérgio Butka, presidente do SMC, acredita que a estagnação do mercado não justifique as demissões, uma vez que pode ocorrer retomada das vendas no ano que vem. "Não podemos aceitar esta imposição sem antes buscar alternativas para manter os empregos; esta é a postura que o sindicato vai tomar em situações deste tipo", declara. Butka defende medidas alternativas, como a adoção de lay-off, para evitar os desligamentos.
"Temos que discutir como manter o nível de emprego para, em janeiro, podermos voltar a conversar", afirma. No entanto, a assessoria da montadora diz que as demissões foram a única solução encontrada para adequar a produção à atual demanda e devem ser efetivadas ainda em dezembro. A empresa diz que já vinha conversando com o sindicato sobre os possíveis desligamentos desde meados do ano e que chegou a implementar férias coletivas, no entanto, o mercado não esboçou reação.
"A empresa mantém a decisão de desligamento, uma vez que todas as tentativas de resolver não deram certo, visto que o mercado não reagiu; no segmento em que a Volvo atua, foram vendidas 103 mil unidades no ano passado; este ano, estima-se 90 mil", compara a assessoria. Na fábrica de Curitiba são produzidos 113 caminhões por dia, número que vai diminuir em 2015.
Retração
A montadora ressalta que vem trabalhando com excedente de pessoal desde o meio do ano e que, apesar das demissões, vai fechar 2014 com o quadro maior que o do ano passado, quando empregava 3.656 pessoas. Até o final do ano, serão 3.712 trabalhadores (incluindo todos os setores da fábrica).
As demissões na Volvo não são isoladas. Em novembro, a indústria de veículos completou 13 meses de redução no quadro de pessoal. Só em 2014 foram fechadas 10,8 mil vagas de emprego em todo o País, de acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Outras montadoras com fábricas em Curitiba - como Renault e Volkswagen - já recorreram ao sistema de lay-off e a férias coletivas este ano, reflexo da queda nas vendas, acumulada em mais de 8% em relação a 2013.


